terça-feira, 6 de setembro de 2011

Carta do General Wellesley ao Bispo do Porto (6 de Setembro de 1808)



Zambujal, perto de S. António de Tojal, 6 de Setembro de 1808.


Com a licença de Vossa Senhoria:

Tive a honra de receber a carta de Vossa Senhoria datada de       *, e não deixei de apresentar ao Comandante em Chefe, Sir Hew Dalrymple, o papel contendo um memorando sobre aqueles pontos que Vossa Senhoria queria que ele considerasse na negociação de qualquer convenção com o exército francês. Resta-me dizer que Sua Excelência [Dalrymple] escreverá a Vossa Senhoria sobre este assunto.
Devo informar Vossa Senhoria que o meu comando das forças inglesas em Portugal concluiu-se com a batalha de 21 de Agosto. De facto, um oficial mais antigo, Sir Harry Burrard, chegou ao campo da batalha perto do fim da acção, e dirigiu as operações que se levaram a cabo depois daquela batalha. Sir Hew Dalrymple, o actual Comandante em Chefe, desembarcou na manhã de 22 de Agosto; e naquela tarde negociou pessoalmente com o General francês Kellermann um acordo para suspensão das hostilidades. Estive presente durante a negociação deste acordo; e, conforme a vontade do Comandante em Chefe, assinei-o. Porém, como acabo de referir a Vossa Senhoria, não o negociei; e não posso de maneira alguma ser responsável pelo seu conteúdo.
Este acordo foi seguido por uma negociação com o Comandante em Chefe francês, duma convenção para a evacuação de Portugal pelo exército francês, através da mediação do Coronel Murray, Quartel-Mestre-General do exército, convenção esta que foi concluída e ratificada pelos Comandantes em Chefe de ambos os exércitos, e que está actualmente a ser executada. Não vi esta convenção, e não posso informar Vossa Senhoria acerca do seu conteúdo; mas não duvido que o Comandante em Chefe vos envie uma cópia.
Julguei que era apropriado incomodar Vossa Senhoria com esta notícia detalhada da parte que tive nestes negócios, de forma a que Vossa Senhoria não me atribua a omissão de não vos ter informado acerca da sua natureza, a qual estou convencido que é apenas acidental. Mas como me considero, bem como o exército que comandei, particularmente obrigado a Vossa Senhoria, tal omissão da minha parte seria imperdoável; e estou feliz para tomar esta oportunidade de me aliviar de tal imputação, instruindo Vossa Senhoria acerca do modo como as negociações foram levadas a cabo, e da parte que nelas tive.
Tenho a honra de ser, etc.,

Arthur Welllesley

[Fonte: Lieut. Colonel Gurwood (org.), The Dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington, K. G. during his various campaigns in India, Denmark, Portugal, Spain, the Low Countries, and France, from 1799 to 1818 – Volume Fourth, London, John Murray, 1835, pp. 126-132; uma tradução parcial desta carta em português foi publicada por Simão José da Luz Soriano, História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal. Compreendendo a História Diplomática, Militar e Política deste Reino, desde 1777 até 1834 – Segunda Época - Tomo V – Parte I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1893, pp. 182-183].

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Nota:

* O espaço em branco encontra-se no texto original.

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