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domingo, 11 de setembro de 2011

Plano da batalha do Vimeiro, publicado no periódico The National Register de 11 de Setembro de 1808






Uma relação da Batalha do Vimeiro
servindo de explicação ao plano da batalha


A Batalha do Vimeiro iniciará uma época importante na nossa História. É um daqueles acontecimentos decisivos que não só terminam uma campanha e aniquilam os recursos do inimigo naquela região, mas que produzem uma superioridade decidida nas operações posteriores dos vitoriosos. Neste aspecto, apresenta uma forte semelhança com as batalhas de Marengo, Ulm e Jena. Ela mudou completamente as características da guerra. Os franceses, que têm tido durante tantos anos o hábito de abrirem fogo e devastarem os Estados dos seus inimigos, e dos seus exércitos subsistirem às custas destes últimos, estarão agora limitados à necessidade de defenderem as suas próprias fronteiras contra uma força invasora. A relação transmitida por Sir Arthur Wellesley é tão clara e judiciosa que seria presunçoso acrescentar-lhe algo.

[Seguia-se um excerto da citada carta de Wellesley a Sir Harry Burrard]


domingo, 4 de setembro de 2011

Carta de Lord Castlereagh, Secretário de Estado da Guerra do Governo britânico, ao General Harry Burrard (4 de Setembro de 1808)



Downing Street, 4 de Setembro de 1808.


Senhor:

Recebi, através do Capitão Campbell, ajudante de campo do Tenente General Sir Arthur Wellesley, o vosso ofício de 21 do passado mês, que incluía a notícia que aquele General vos tinha dirigido sobre a assinalada vitória obtida pelas forças de Sua Majestade debaixo das suas ordens, ao ser atacada, no Vimeiro, pela totalidade da força francesa em Portugal, comandada pessoalmente pelo General Junot. 
Depois de transmitir o mesmo ofício a Sua Majestade, recebi ordens de Sua Majestade para que declareis ao Tenente General Sir Arthur Wellesley que a disposição que ele tomou para receber o inimigo, bem como a perícia e valor que ele demonstrou ao conseguir derrotá-lo completamente, proporcionaram a Sua Majestade a mais alta satisfação.
A conduta do Major General Spencer e dos outros Generais e Oficiais que tão habilmente executaram as ordens que receberam, demonstrando tantos exemplos de discernimento e de valor, é altamente honorável para eles próprios e satisfatória para Sua Majestade.
Tereis o prazer de comunicardes a satisfação que Sua Majestade sentiu perante a bravura deliberada e firme pela qual as suas tropas se distinguiram, reflectindo ao mesmo tempo igual honra perante o carácter e disciplina do seu exército, qualidades que por si só permitem contemplar permanentemente o sucesso na guerra.
A delicadeza e a honorável paciência que vos determinou, apesar de presente na acção, a não interferirdes com as disposições previamente tomadas pelo Tenente General Sir Arthur Wellesley, que estavam então a ser executadas, foram observadas por Sua Majestade com aprovação.
Tenho a honra de ser, etc., 

Castlereagh

[Fonte: Lieut. Colonel Gurwood (org.), The Dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington, K. G. during his various campaigns in India, Denmark, Portugal, Spain, the Low Countries, and France, from 1799 to 1818 – Volume Fourth, London, John Murray, 1835, pp. 123-124].

Carta de Lord Castlereagh, Secretário de Estado da Guerra do Governo britânico, ao General Wellesley (4 de Setembro de 1808)



Downing Street, 4 de Setembro de 1808.


Senhor:

Recebi, através do Capitão Campbell, vosso Ajudante de Campo, os vossos ofícios de 16 e 17 de Agosto, contendo o primeiro o relato da acção em Alcobaça [sic], que obrigou o inimigo a retirar os seus postos avançados; e contendo o do dia 17 o relato do vosso ataque, com as tropas debaixo do vosso comando, sobre os corpos avançados do inimigo na sua posição formidável perto de Óbidos [sic], e da sua completa derrota.
Estes ofícios foram comunicados a Sua Majestade, e transmito-vos por este meio a plena satisfação de Sua Majestade perante a conduta hábil, sensata e decisiva que haveis demonstrado, através da qual as armas de Sua Majestade reflectiram tanto crédito, e que tanto facilitou o avanço do exército no sentido de reduzir completamente o inimigo.
Sua Majestade também manifestou que é do seu real agrado que transmitais a sua mais grata aprovação ao Major General Spencer e aos Generais e outros Oficiais debaixo do vosso comando, pela perícia, valor e perseverança que revelaram, e às tropas em geral, pela coragem, frieza e determinação que parece que marcaram a sua conduta.
Tenho a honra de ser, etc., 

Castlereagh


Carta de Lord Castlereagh, Secretário de Estado da Guerra do Governo britânico, ao General Arthur Wellesley (4 de Setembro de 1808)



Downing Street, 4 de Setembro de 1808.


Meu caro Wellesley:

Acreditareis facilmente que poucos acontecimentos na minha vida, na verdade posso dizer nenhum, deram-me mais gratificação que as notícias das vossas duas esplêndidas vitórias, às quais dificilmente sei dar a preferência. A do dia 21 [batalha do Vimeiro] foi certamente a mais importante em todos os seus resultados, e teve certamente mais características de uma grande vitória; mas existem aspectos na primeira [batalha da Roliça], que não necessito particularizar, que a tornam, como feito militar, não menos merecedora de aplauso. Houve algo caprichosamente providencial no ataque que o inimigo fez sobre vós, no preciso momento que o vosso comando estava passando (e de facto passou formalmente) para outras mãos a glória dos vossos sucessos, ataque esse que a vossa moderação pessoal e o sentido de dever vos induziram a não provocar por qualquer aceleração extraordinária das vossas operações.
Haveis recebido a recompensa dos princípios que governaram a vossa conduta, numa ascensão importante de reputação militar, e haveis sulcado os fundamentos, segundo espero, duma sucessão de triunfos, tão frequentes quanto possamos levar as tropas britânicas a contactar com o inimigo em termos justos. 
Não vejo o Rei desde que o Capitão Campbell chegou. A nota que me enviou assinala como desfrutou dos vossos serviços; e soube que ele ouviu os detalhes das vossas cartas com tanto interesse e atenção que as sabe quase de cor.
Qualquer outro assunto não me pode incomodar, ao misturar-se com os indivisos sentimentos de gratidão e admiração com que vos dou os meus agradecimentos e parabéns pelos serviços que prestastes ao exército, tal como aos interesses imediatos do vosso próprio país; e estou convencido que, seja qual for o lugar que ocupeis agora no exército, as vossas qualidades enquanto oficial serão reveladas com um zelo igual como enquanto estivestes encarregado do comando supremo.
Reservo-me a escrever sobre outros pontos até uma nova ocasião. 
Sempre, meu caro Wellesley, o vosso mais sincero

Castlereagh


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Extracto duma carta privada dum militar britânico (22 de Agosto de 1808)



Vimeiro, a 22 milhas de Lisboa, 22 de Agosto.


No dia 17 os nossos bravos camaradas forçaram uma passagem [no alto das montanhas] sustentada por 6.000 franceses, façanha esta que somente podia ser conseguida por tropas britânicas. 
As nossas companhias ligeiras carregaram sobre os franceses, provocando-lhes uma fuga desordenada e uma matança medonha. Não podiam passar mais que dois homens ao mesmo tempo. 
Mal tenho tempo de vos informar duma acção mais gloriosa travada ontem neste lugar. Marchámos para este terreno no passado dia 18, descansámos no dia 20, e no dia 21, por volta das nove da manhã, vimos o inimigo avançar sobre as colinas, no número de cerca de 12 a 15.000 homens. Parte do nosso exército moveu-se em direcção ao mar, e a restante manteve-se nas suas linhas, esperando que o inimigo chegasse, o que este fez do modo mais determinado, impelindo os nossos pontos avançados diante dele.
Por fim, a direita do nosso exército carregou sobre o inimigo, tomando-lhe 16 peças de artilharia, carros [de munições], cavalos, etc. O inimigo pensou cortar a nossa esquerda e carregou com cerca de 5.000 homens, que no entanto foram completamente derrotados com grande matança, e perderam o seu segundo no comando*. O Regimento [britânico] n.º 82 perdeu um Oficial, o Tenente Donkin. Fomos completamente vitoriosos. O inimigo perdeu 4.000 homens; as suas mochilas estavam cheias com os seus saques: dinheiro, prata de igrejas, etc.; tenho um grande cálice, retirado de uma das suas bolsas. Há 14 dias que não tiro a roupa. O inimigo envenenou alguns poços no dia 17, e por este motivo alguns homens foram envenenados. Vi um do Regimento n.º 32 e outro do n.º 6 morrendo em agonia depois de beberem desses poços. 
Adeus! Escrevo-vos sobre o terreno.


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Nota:

* Como se depreende da carta de Wellesley a Harry Burrard sobre a batalha do Vimeiro, constava no exército britânico que Thiébault tivesse sido morto, o que não correspondia de todo à verdade.

Carta do Comendador Joaquim Pais de Sá, enviado ao Quartel-General britânico, ao General Bernardim Freire de Andrade (22 de Agosto de 1808)



Vimeiro, pelas 6 da manhã, 22 de Agosto de 1808.


Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor: 

Chegou Sir Harry Burrard, e com o maior sentimento vejo que Sir Arthur Wellesley, que com bastante sangue frio comandou a acção de ontem, em que os franceses atacando em duas colunas perderam 21 peças (julgo que os carros manchegos são incluídos neste número) de 23 que tinham; 2 Generais, vendo eu [que] Brenier e outros muitos oficiais e soldados, talvez em número de 400 a 500, foram feitos prisioneiros; a mortandade foi grande da parte dos franceses, pois que certamente tiveram 800. Os ingleses só tiveram um oficial de consideração ferido gravemente, o Coronel dos Dragões. Eu achei-me sempre no meio do fogo e das balas, e uma ainda tocou o meu cavalo e outra matou um soldado ao pé de mim. Os franceses ainda são bastantes, mas Junot não chegou ao pé das balas, e se conservou sempre em distância, reunindo-se às suas tropas depois da fugida no caminho daqui para Torres, como eu vi. Os nossos cavalos entraram na acção, morrendo o Comandante Elesiário da Polícia, um Cadete e outros feridos, mas devo dizer que de todos quem merece maior elogio foi o Tenente António Pinto. Creio que ainda hoje aqui se fica, não obstante aqui nada haver, mas penso [que os ingleses] querem desembarcar muita mais tropa, contudo aqui nada já há, nem vinho,  nem pão, nem coisa alguma. Se Vossa Excelência quiser dirigir-me a carta que há de escrever ao General novo [Sir Harry Burrard], eu lha entregarei. Esse soldado* me acompanhou sempre ontem, e poderá contar alguma coisa, mas não lhe acho inteligência para o fazer bem. Rogo-lhe [que] queira mandar logo essa carta ao seu destino.
Sou de Vossa Excelência amigo obrigado e atento criado.

Joaquim Pais de Sá

[P.S.] Agora mesmo recebo a sua carta**, mas como o General não está em casa, não lha posso entregar; logo que ele chegue o farei. Vejo o que o primo D. Miguel diz ao Huett a respeito dos mantimentos; aqui é totalmente impossível havê-los, o que será mais fácil na Lourinhã e nos povos circunvizinhos. 

[Fonte: Luís Henrique Pacheco Simões (org.), "Serie chronologica da correspondencia diplomatica militar mais importante do General Bernardim Freire de Andrade, Commandante em Chefe do Exercito Portuguez destinado ao resgate de Lisboa com a Junta Provisional do Governo Supremo estabelecido na cidade do Porto e o Quartel General do Exercito Auxiliar de S. Magestade Britanica em Portugal", in Boletim do Arquivo Histórico Militar - Vol. I, Lisboa, 1930, pp. 153-227, pp. 197-198 (doc. 30)].
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Nota: 

* Alusão ao portador desta carta a Bernardim Freire de Andrade.


** A referida carta de Bernardim Freire de Andrade a Wellesley não se encontra publicada.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carta de Gaspar de Sousa Pizarro, Coronel adido ao Quartel-General britânico, ao General Bernardim Freire de Andrade (17 de Agosto de 1808)




Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor: 

Depois de ter passado os incómodos do costume, cheguei aqui às Caldas ontem, dezasseis do corrente, já quase Avé-Marias*. Aqui se uniram as duas colunas, a da direita e a do centro, e ainda com ar de dia fomos com os Caçadores ingleses para diante, e depois de os pôr em via voltámos ao nosso Quartel; passado pouco tempo ouviram-se tiros, e tudo montou a cavalo para observar o que se passava, menos eu, que ainda não sabia onde se tinham alojado os meus cavalos, e por isso fui a pé unir-me à coluna da direita que, estando em batalha, fica com o flanco esquerdo quase no fim desta vila. Passada uma hora voltou o General e a dita coluna tornou a pôr-se em liberdade, mas sempre prontos os soldados sem sair do seu posto. Soube-se hoje que os Caçadores foram dar com uma emboscada junto de Óbidos e que os franceses lhe deram uma descarga, em que lhe mataram um Oficial, feriram o Capitão, cunhado do General, numa perna, e morreram alguns soldados; porém, os ingleses dos Caçadores foram sobre eles e dizem [que] lhe[s] mataram quinhentos, que eu não posso por ora [as]segurar, mas sempre se diz que a vantagem fora da nossa parte, e o que o confirma é termos já hoje desalojado os franceses daqueles arredores de Óbidos. Thomières é quem temos à frente na Roliça e tem um parque [de artilharia] emboscado na Columbeira de 5 peças coberto com lenha; isto é na distância de duas léguas daqui. Laborde está no Bombarral, distante 3 léguas desta vila, e um e outro não têm muita gente. Peniche foi hoje atacada por mar logo na madrugada, mas não se sabe ainda o resultado dos imensos tiros que aqui ouvimos. Pelo que tenho observado do terreno, todo cheio de pinhais, temos a sofrer muita emboscada. Não tenho mais tempo, e desejando dar a Vossa Excelência continuadamente as notícias que for havendo, creio que eu não o poderei fazer por falta de correios de posta, e faz isto falta bastante mesmo para Vossa Excelência. Não tenho mais tempo. 
Deus guarde a Vossa Excelência muitos anos, e ao Excelentíssimo Senhor D. Miguel, a quem mando os meus respeitos. 
De Vossa Excelência criado e muito obrigado, 

Gaspar de Sousa Pizarro

P.S. A carta que escrevo a Vossa Excelência foi ditada por Sua Excelência inglesa [Wellesley].


[Fonte: Luís Henrique Pacheco Simões (org.), "Serie chronologica da correspondencia diplomatica militar mais importante do General Bernardim Freire de Andrade, Commandante em Chefe do Exercito Portuguez destinado ao resgate de Lisboa com a Junta Provisional do Governo Supremo estabelecido na cidade do Porto e o Quartel General do Exercito Auxiliar de S. Magestade Britanica em Portugal", in Boletim do Arquivo Histórico Militar - Vol. I, Lisboa, 1930, pp. 153-227, pp. 191-192 (doc. 20)].


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Nota: 

* Entre as seis e as seis e meia da tarde.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Spanish-Patriots attacking the French-Banditti. Loyal Britons lending a lift, caricatura de James Gillray (15 de Agosto de 1808)




Patriotas espanhóis atacando os bandidos franceses. Leais bretões dando uma ajuda.
Caricatura de James Gillray, publicada a 15 de Agosto de 1808.


Publicada no mesmo dia em que Napoleão festejou os seus 39 anos, esta gravura ricamente detalhada satiriza as primeiras derrotas dos exércitos franceses na Espanha, criticando ao mesmo tempo a defesa do Ancien Régime por parte dum exército atípico donde sobressaem monges, bispos, freiras, e homens e mulheres da nobreza espanhola.



Em primeiro plano, à esquerda, duas damas espanholas (uma das quais levando um punhal ensanguentado pendurado à cintura) transportam balas para a boca dum canhão que está a ser calcado com um soquete por um monge, enquanto um nobre prepara-se para lançar fogo à peça com um morrão. No canto inferior esquerdo encontram-se barris de pólvora britânica.





Ao centro, também em primeiro plano, encontram-se freiras que empunham crucifixos e punhais ensanguentados. Uma delas, mais corpulenta, pisa um soldado francês que agoniza no chão, ao mesmo tempo que está prestes a esfaquear outro francês que agarra pelos cabelos, o qual apresenta uma expressão aterrorizada. 



Em segundo plano, no lado esquerdo, sobressaem alguns homens a cavalo, com espadas ensanguentadas, liderados por um bispo (que segura o seu báculo numa mão e na outra uma espada, também ensanguentada) e por um monge gordo que toca uma trombeta para animar a multidão de soldados. Estes últimos estão todos armados com lanças e em formação cerrada, e portam bandeiras com inscrições para animar a hoste: Viva a Liberdade, Vitória Espanhola, Viva o Rei Fernando VII. Note-se que entre o bispo e o monge também se vê uma imagem da Virgem Santa, a qual segura o menino com uma mão e uma espada com a outra. É talvez este o quadro que melhor ilustra a unidade então tão proclamada entre a Pátria, a Religião e a Monarquia.





Os motivos religiosos repetem-se em todo o lado esquerdo da gravura. Ao fundo, aparecem várias pessoas cercando uma grande cruz que está sobre o topo duma montanha, enquanto um pouco mais abaixo a artilharia espanhola (com uma bandeira da Liberdade e Lealdade) abre fogo sobre os franceses.



No lado direito, também ao fundo, vê-se em pequena escala uma multidão de soldados franceses fugindo em debandada, deixando para trás mortos, armas, tambores... Nas suas bandeiras podem-se ler expressões como A morte ou a vitória, Viva o Rei José e Dupont. Para além do cenário montanhoso, a aparição do nome do General Dupont remete inevitavelmente para a batalha de Bailén (no sopé da Sierra Morena), suposto cenário da batalha aqui representada.




No lado direito, em primeiro plano, vê-se um granadeiro britânico a trespassar com a baioneta do seu mosquete a dois dos franceses horrorizados e grotescos que aparecem mais à direita. Na sua barretina estão inscritas as letras G.R., que correspondem à expressão latina George Rex (Rei Jorge). Devemos aqui fazer um parêntesis para sublinhar, em termos de rigor histórico, que o exército britânico não participou na batalha de Bailén (de facto, o exército britânico forneceu pólvora e munições aos espanhóis e o corpo de Spencer chegou a desembarcar no Puerto de Santa María, perto de Cádis, mas pouco depois voltou a embarcar com destino a Portugal, sem ter tido qualquer tipo de confronto contra os franceses durante essa curta estadia no território espanhol). Na verdade, as primeiras tropas britânicas que lutaram contra os franceses na Península foram as comandadas por Wellesley, num pequeno confronto travado a sul de Óbidos, travado precisamente no dia em que esta caricatura foi publicada.


Note-se finalmente que um dos pés do referido granadeiro britânico pisa a bandeira duma suposta Legião Invencível do Exército francês, cujo portador jaz decapitado no chão...

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