segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Carta do General Wellesley para o Capitão Pulteney Malcolm, do navio Donegal (5 de Setembro de 1808)

 


Zambujal, 5 de Setembro de 1808.


Meu caro Malcolm:


Recebi hoje de manhã a vossa carta de Sábado [dia 3], pois estava em Sintra ontem de manhã, e somente regressei aqui já tarde, ao anoitecer.
Lamento a situação dos nossos negócios tanto quanto vós, e fiz tudo o que estava ao meu alcance para a evitar; mas a minha opinião foi rejeitada. Não tive nada a ver com a Convenção tal como está agora; e até agora não a vi.
Ainda não recebi notícias do vosso irmão, mas suponho que em breve receberei a sua carta. Irei ver-vos em breve, se puder. Tenho forte razões [para partir], tanto públicas como privadas, mas não decidirei apressadamente ou enraivecido com algum assunto.
Acreditai em mim, etc.,

Arthur Wellesley

P.S.: Dai os meus maiores cumprimentos a Cadogan, e dizei-lhe que lamento tanto quanto ele o resultado dos nossos trabalhos, mas que não foi minha culpa. Lamento apenas ter posto o meu nome num acordo que não concordei, e que não negociei. Se não o tivesse feito, penso que seguramente eles não ousariam fazer uma convenção como a que fizeram; porém, tal acordo nunca chegou a ser ratificado, e agora é apenas papel gasto.



[Fonte: Lieut. Colonel Gurwood (org.), The Dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington, K. G. during his various campaigns in India, Denmark, Portugal, Spain, the Low Countries, and France, from 1799 to 1818 – Volume Fourth, London, John Murray, 1835, p. 125. Uma tradução parcial desta carta foi publicada por Simão José da Luz Soriano, na sua História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal. Compreendendo a História Diplomática, Militar e Política deste Reino, desde 1777 até 1834 – Segunda Época - Tomo V – Parte I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1893, p. 182].

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