quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carta do General Wellesley ao Duque de Richmond, Lord Tenente da Irlanda (1 de Setembro de 1808)




Sobral [de Monte Agraço], 1 de Setembro de 1808.



Meu caro Duque

Anteontem foi assinada uma Convenção para a evacuação de Portugal pelos franceses, que estarão fora do país em sete dias. Não vi a Convenção, mas sei que contém alguns pontos que desaprovo tanto quanto desaprovei o acordo para suspensão das hostilidades; porém, é inútil incomodar-vos com as minhas objecções à Convenção. Disse-vos na minha última carta que pensei que era justo concordar com o ponto principal da Convenção, a saber, a evacuação; e o modo este ponto como foi posto em execução não tem grande importância.
Os exércitos estão agora posicionados como se segue: o meu corpo está à esquerda, a cerca de vinte e quatro milhas de Lisboa, e deverei marchar amanhã para Bucelas e [Santo Antão do] Tojal, onde ficarei a cerca de vinte milhas de Lisboa; e o exército que consiste no corpo de Moore e nas brigadas de Anstruther e Ackland está hoje em Mafra, e amanhã estará em Sintra. Este exército ocupará o forte de S. Julião e Cascais, e devemos ficar nessas posições até que os franceses evacuem. Através da ratificação da Convenção, ficámos imediatamente com os fortes do interior e da costa.
Devo esperar até ver os franceses abandonarem completamente o país, em cujo momento deverei saber se os ministros querem que regresse ao meu ofício*. Se assim o quiserem, estarei convosco sem demora; e garanto-vos que, considerando a forma como as coisas serão provavelmente levadas a cabo aqui, não me arrependerei de partir.
Dai sinceras lembranças minhas à Duquesa e às crianças.
Acreditai em mim, etc., 

Arthur Wellesley

P.S.: Lord Fitzroy regressou de Lisboa, e apresentou uma boa descrição de Junot, que foi muito polido consigo.


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Nota: 

* Imediatamente antes de ser nomeado para partir ao comando do exército britânico destinado a Portugal, Wellesley era chefe da Secretaria da Irlanda, servindo como secretário do Duque de Richmond (destinatário desta carta), para além de ser igualmente conselheiro privado do Governo britânico.

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