quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carta de Lord Castlereagh ao Rei George III (1 de Setembro de 1808)



Downing Street, 1 de Setembro de 1808.


Lord Castlereagh tem que informar humildemente Vossa Majestade que os vossos servidores confidenciais, havendo tomado na sua mais séria consideração o estado da actual guerra na Espanha e em Portugal, são humildemente da opinião que, assim que as forças de Vossa Majestade tiverem libertado Portugal do domínio do inimigo, talvez seja aconselhável dirigir os esforços das armas de Vossa Majestade (numa proporção consistente com a permanência duma guarnição adequada em Lisboa e nos fortes do Tejo) para o norte da Espanha, para se reunirem com os 10.000 homens que agora estão prontos para embarcar na Inglaterra, e para cooperarem com os exércitos na Espanha para expulsar o inimigo da Península. 
Eles são humildemente induzidos a recomendar esta linha de operações, por ser preferível a um movimento avançado para o interior da Espanha, através de Portugal, pois assim manter-se-á o exército de Vossa Majestade mais próximo das suas comunicações com a frota [britânica], e consequentemente com os seus provimentos. Esta medida tornará a sua linha de operações muito menos extensa, e, ao mesmo tempo que facilitará a comunicação da Inglaterra com o exército ao seu serviço, tornará o seu regresso por terra mais fácil quando o serviço proposto se tiver realizado. 
Os servidores confidenciais de Sua Majestade julgam que, depois de proporcionarem uma força adequada para a segurança de Portugal, um corpo de 30.000 homens (incluindo os 10.000 que agora estão prontos a partir daqui), com a respectiva proporção de cavalaria, poderia ser levado a agir no norte da Espanha, em caso necessário. A esta força podemos finalmente acrescentar as 10.000 tropas espanholas que estão no Báltico [comandadas pelo General o Marquês de la Romana], sendo que estas não poderão senão lisonjear-se se a nação espanhola continuar a fazer os esforços que fez até aqui, e cuja ocasião requer que a adesão de 30.000 britânicos e 10.000 tropas regulares espanholas aos seus esforços contra o inimigo naquela parte, não só acelere a sua expulsão da Espanha, mas que também contribua, se a sua retirada for demorada, para a destruição de uma parte considerável do seu exército.
Tendo em vista acelerar a execução desta operação tanto quanto as circunstâncias permitam, eles humildemente submetem à grata aprovação de Vossa Majestade que as instruções adjuntas sejam enviadas ao Tenente-General Sir Hew Dalrymple; e a fim de que as tropas que partirem daqui possam estar reunidas e prontas para partir, de acordo com as informações que daqui em diante poderemos receber sobre o progresso das operações em Portugal e com o momento em que possa esperar que a força que partirá daqui atinja o norte da Espanha, os servidores de Vossa Majestade recomendam humildemente que as tropas em Cork sejam ordenadas a embarcar e a dirigirem-se para Plymouth, onde encontrar-se-ão com a parte dos 10.000 homens que está recrutada nesta região - a força reunida nesta posição estará mais imediatamente conforme à disposição de Vossa Majestade do que no actual estado dividido, e existem todas as razões para esperar que antes que o total possa ali ser reunido, Vossa Majestade verá que possui informações suficientes para decidir sobre o seu destino posterior.

[Fonte: A. Aspinall (ed.), The Later Correspondence of George III - Volume Five (1808-1810), London, Cambridge University Press, 1970, pp. 118-119 (doc. n.º 3711)].

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