segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carta do General Wellesley ao Duque de York (22 de Agosto de 1808)





Vimeiro, 22 de Agosto de 1808



Omiti escrever a Vossa Alteza Real até que tivesse que comunicar algo que merecesse a vossa Real atenção; e espero que a acção que as tropas travaram ontem corresponda a tal descrição.
Escrevi ao Coronel Gordon no dia 18, a partir da Lourinhã, e dei-lhe um relato detalhado das ocorrências até àquela data. No dia 19 marchei para o Vimeiro, de forma a garantir uma melhor protecção ao desembarque da brigada do General Anstruther, que esperava que fosse feita na Maceira [Porto Novo]. O General Brigadeiro Anstruther desembarcou durante aquela tarde e durante a noite de 19 para 20, a cerca de oito milhas a norte da Maceira, tendo reunido-se comigo na manhã do dia 20. A minha intenção era marchar, na manhã de 21, pela estrada de Mafra, à volta da esquerda da posição do inimigo em Torres Vedras e na sua retaguarda; e pretendia que a brigada do General Brigadeiro Acland, que apareceu na costa a meio desse dia, desembarcasse na Maceira durante a tarde, e se juntasse ao exército naquela noite. O General Sir Harry Burrard, contudo, chegou à costa da Maceira na tarde do dia 20, e determinou que o exército devia permanecer no Vimeiro até que fosse reforçado pelo corpo de Sir John Moore, que estava a reembarcar na baía do Mondego.
O desembarque da brigada do General Acland efectuou-se durante a tarde e noite do dia 20, tendo juntando-se ao exército por volta das seis da manhã do dia 21.
Durante a noite de 20 para 21 as minhas patrulhas deram-me informações sobre os movimentos do inimigo; mas como éramos bastante inferiores em cavalaria, as minhas patrulhas não puderam ir muito longe, e naturalmente as suas informações eram muito vagas, e não fundadas em bases muito sólidas. Mas pensei que era provável que, se não atacasse o inimigo, ele iria atacar-me; e preparei-me para o conflito ao amanhecer, posicionando a artilharia de calibre 9 e reforçando a minha direita, por onde esperava o ataque, devido à forma como o inimigo tinha patrulhado o alinhamento naquele ponto  durante os dias 19 e 20. Contudo, ele apareceu, por volta das oito horas da manhã do dia 21, sobre a esquerda, começando-se então uma acção cujo relatório detalhado é dado na cópia inclusa duma carta que escrevi a Sir Harry Burrard sobre este assunto. Incluo igualmente um plano do terreno, que explicará mais claramente a natureza dos diferentes movimentos feitos pelo inimigo e pelas nossas tropas. 
Não posso dizer muito a favor das tropas: a sua bravura e disciplina foram igualmente notáveis; e devo acrescentar que esta foi a única acção onde estive em que tudo se passou tal como foi ordenado, e em que os oficiais encarregados da conduta das tropas não cometeram erro algum. Penso que se a brigada do General Hill e as guardas avançadas tivessem avançado para Torres Vedras, assim que se tornou óbvio que a direita do inimigo seria derrotada pela nossa esquerda, tendo esta aproveitado a sua vantagem, a retirada do inimigo para Torres Vedras seria cortada, e poderíamos estar em Lisboa antes dele; isto, na verdade, se tivesse permanecido algum exército francês em Portugal. Mas Sir Harry Burrard, que já estava neste momento sobre o terreno, continuou a pensar que era mais aconselhável que o exército não saísse do Vimeiro; e o inimigo fez uma boa retirada para Torres Vedras.
Sir Hew Dalrymple chegou esta manhã, e tomou o comando do exército.
Tenho a honra de ser, etc.,

Arthur Wellesley


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