quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Carta do General Dalrymple a Junot (25 de Agosto de 1808)



Senhor:

O Almirante que comanda a frota britância nas costas de Portugal não pode concordar na proposição relativa à disposição da frota russa no Tejo, de maneira que se possa discutir sobre a base do artigo sétimo do acordo para a suspensão de hostilidades em que se entrou com Vossa Excelência, com as vistas de ajustar uma convenção para a evacuação de Portugal pelas tropas francesas. Contudo, sinto-me plenamente autorizado para assegurar a Vossa Excelência que a objecção da parte do Almirante inglês não procede de algum desejo de levar à extremidades as vantagens que o estado actual da guerra nesta parte possa oferecer às forças britânicas. O Almirante Cavaleiro Charles Cotton possuía instruções do Governo britânico relativamente à linha de conduta que devia observar a respeito da frota russa no Tejo, e num período em que circunstâncias de uma natureza bem diferente das que agora existem produziam esperanças de que a frota russa estivesse na necessidade de deixar o porto de Lisboa, e o Almirante britânico está pronto agora a entrar numa discussão directa desta matéria com o Almirante [russo] Séniavin, sobre as mesmas bases. A inteira conexão que à tão pouco tempo existia entre o Governo britânico e o da Rússia, assim como o respeito pessoal que o Almirante britânico tem ao Almirante Séniavin, deixa pouca razão para duvidar que haverá uma inteligência bem aceita a ambos, sendo o resultado de uma comunicação entre eles. 
Sou, etc.

Hew Darlymple

[Fonte: Correio Braziliense, Londres, Abril de 1809,pp. 309-310; Simão José da Luz Soriano, História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal. Compreendendo a História Diplomática, Militar e Política deste Reino, desde 1777 até 1834 – Segunda Época - Tomo V – Parte I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1893, p. 111].

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