terça-feira, 21 de junho de 2011

Excerto de uma carta do General Spencer ao Secretário de Estado da Guerra, Visconde Castlereagh (21 de Junho de 1808)




No brigue de Sua Majestade Scout, diante de Lagos, 21 de Junho de 1808


Meu Senhor:

Como a esquadra francesa rendeu-se no dia 14 e os comissários espanhóis [enviados pela Junta de Sevilha] embarcaram seguidamente para a Inglaterra, permita-me que recapitule os diferentes eventos que conduziram a este objecto desejável, e que relate a Vossa Senhoria a situação presente da Espanha e de Portugal, se são correctas as informações que obtive.
Os ânimos gerais dos espanhóis foram sendo excitados durante algum tempo, até chegarem ao maior grau de indignação pela conduta dos franceses. A informação da resignação forçada da Coroa de Espanha por Carlos IV, Fernando e toda a Família Real a favor de Bonaparte, foi aparentemente o que provocou a oposição universal aos objectivos da França.
A Junta de Sevilha, uma das principais jurisdições provinciais da Espanha, arrogou em alguns estatutos da sua constituição a sua rejeição às ordens do Supremo Conselho de Madrid, enquanto aquela capital estiver em poder das tropas estrangeiras. Assumiu-se assim como uma autoridade independente, em nome de Fernando VII, a quem proclamou Rei; e depois de alguns passos preliminares, declarou formalmente guerra à França e apelou à nação espanhola para a sustentar; e a sua supremacia foi reconhecida pelas Juntas de várias outras províncias.
Na Andaluzia, a Junta reuniu entre quinze a vinte mil tropas regulares, e distribuiu armas a mais de sessenta mil paisanos. O General Castaños foi nomeado Comandante em Chefe; e suponho que ele tenciona aumentar, a partir dos primeiros recrutamentos, o estabelecimento dos antigos regimentos, para duplicar o seu número actual.
Também se estão formando assembleias provinciais na maioria das grandes vilas e diferentes depósitos [de militares], em consequência do aumento dos voluntários. 
A Junta tem proporcionalmente cerca de quatro mil homens de cavalaria, e ainda uma grande quantidade de artilharia, visto que Sevilha tem uma fundição e um dos maiores depósitos da Espanha.
Todos os relatos confirmam que as insurreições começaram quase ao mesmo tempo em todas as partes da Espanha; e muitos destacamentos do inimigo, e seus oficiais, foram travados na suas marchas.
O General Avril recebeu ordens para se juntar em Sevilha com quatro mil homens, que se deviam reunir em Alcoutim, mas com a nossa chegada à barra de Ayamonte, com o armamento de toda a Espanha, e com os alarmes em Portugal, os franceses evitaram esse movimento; creio que o General Junot não será capaz de destacar quaisquer tropas de Portugal, e ainda que se suponha que um corpo francês foi reunido em Elvas, não penso que possa exceder quatro mil homens, embora as notícias da sua força sejam muito diversas.
Em Faro, os portugueses já se levantaram, aprisionando ou destruindo um destacamento de cerca de duzentos homens, e apoderando-se das armas e munições da província, que os franceses tinham juntado num depósito, e também cerca de quarenta mil dólares em ouro, que o General francês [Maurin] tinha acumulado.




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