quinta-feira, 23 de junho de 2011

Carta da Câmara de Lagos à de Odemira, participando-lhe a restauração de Faro e Lagos (23 de Junho de 1808)



Ilustríssimos Senhores Juiz e mais vereadores da Câmara de Odemira: 

Em consequência de uma carta de ofício que a Câmara de Faro dirigiu à Câmara desta cidade, cuja cópia remetemos a Vossas Senhorias, todo o povo desta cidade e o corpo militar tomou as armas e arvorou a bandeira portuguesa. Restabeleceram-se as antigas autoridades constituídas pelo nosso soberano o Príncipe Regente de Portugal, nosso senhor, e tudo está disposto para repelir o inimigo comum, cuja informação darão os portadores desta, que para isso vão autorizados. Rogamos portanto a Vossas Senhorias que tomem iguais e necessárias medidas dirigidas a um fim tão útil. 
Deus guarde a Vossas Senhorias. 
Lagos, em Câmara, aos vinte e três de Junho de mil oitocentos e oito. 

Joaquim Nicolau Mascarenhas Cordovil 
Joaquim António Vieira Belfort 
José da Costa Franco 
Joaquim Manuel Pimenta 
Manuel José Cordeiro 
Rodrigo Xavier de Azevedo Coutinho 

P.S. Rogamos a Vossas Senhorias que façam transmitir este nosso espírito de patriotismo às Câmaras e povos imediatos. 

[Fonte: Manoel João Paulo Rocha, Monographia - As forças militares de Lagos nas Guerras da Restauração e Peninsular e nas pugnas pela liberdade, Porto, Typographia Universal, 1909, pp. 175-176 (existe uma reedição pela editora Algarve em Foco, com o título Monografia de Lagos).

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Nota: Esta carta chegou a Odemira a 25 de Junho, donde foi reenviada (entre outros sítios?) para Vila Nova de Milfontes, onde chegou a 26, e daí para Santiago do Cacém. A resposta da Câmara desta última localidade à de Faro seria dada a 28 de Junho

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