segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A verdadeira entrada dos protectores em Lisboa

Fonte: Gabinete de Estudos Olisiponenses
Gravura da época, atribuída a Luís António Xavier, 
com a legenda La veritable entrée des proteteurs en Lisbonne le 30 de Novembre de 1807.

Perante uma concentração de populares de guarda-chuva na mão e alguns militares (reconhecíveis pelo chapéu), vão entrando os franceses em Lisboa, de modo desordenado, em grupo dispersos e com as armas aos ombros. Vê-se uma mulher carregando uma espingarda, à frente dum soldado com muletas, enquanto outros soldados, mais atrás, vão-se sentando pelo chão...




Acúrsio das Neves descreve assim "a quantidade, a qualidade e o estado das tropas com que Junot entrou em Lisboa": "Consistiam em um Regimento de granadeiros, e no n.º 70 de linha, sem uma peça de artilharia; algumas outras tropas o seguiam de perto, mas em pequeno número, porque a rapidez das marchas e o mau tempo fazia com que as demais ficassem muito atrasadas. [...] Uma grande parte dos soldados eram imberbes, e tendo-se ajuntado uma diarreia a todas as incomodidades das marchas do tempo, do mau trato e dos caminhos, vinham todos, incluso os Generais, tão fatigados, rotos e desfigurados que mais excitavam a piedade do que o terror dos espectadores. Não se via entrar um Regimento, um batalhão ou outro algum corpo de tropa, sem que ficassem passando por horas inteiras os estropiados que, coxeando, o seguiam de longe; muitos ficavam deitados pelas estradas ou encostados às paredes, e os habitantes dos campos, menos compassivos que os das cidades, não deixavam, quando se lhes oferecia a ocasião, de ir aliviando a estes infelizes de uma vida tão pesada"... 


in José Accursio das NEVESHistória Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração deste Reino – Tomo I, 1809, Lisboa, pp. 212-214.

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