segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Avisos tardios e últimas tentativas de resistência

Ao mesmo tempo que a corte se preparava para rumar para o Brasil teriam chegado a Lisboa algumas cartas dos governadores e generais das cidades por onde passavam as tropas ou aonde iam chegando as primeiras notícias da invasão. O primeiro documento que se transcreve de seguida é um ofício do General da Beira, Florêncio José Correia de Melo (futuro Governador da ilha da Madeira), avisando António de Araújo Azevedo (ministro que acabou por rumar para o Brasil) que os franceses estavam invadido o país, conforme o documento que recebera, por sua vez, de Joaquim Rebelo Trigueiros Martel, Coronel do Regimento de Milícias de Castelo Branco (abaixo também transcrito). Ambas as notícias, considerando-se que realmente chegaram a Lisboa antes do embarque da corte, vinham, no entanto, já bastante tarde... Percebe-se no entanto que tinha havido uma ordem datada de 14 de Novembro que visava alguma tentativa de resistência face à invasão. Rapidamente tudo mudaria...




No dia de hoje às três horas da tarde, tendo o desprazer de receber a notícia inclusa que me dá o Coronel do Regimento de Milícias de Castelo Branco, sem eu ter tido tempo de me prevenir a tomar as disposições necessárias para repelir a invasão dos inimigos, pois que recebendo os avisos de V.Ex.ª em 14 do corrente, e sendo necessário distribuir as ordens precisas depois, bem se conhece a impossibilidade que habia de juntar forças nos portos [=passagens] precisos para estorvar toda a agressão dos contrários; nestas circunstâncias só me resta o expediente de fazer marchar logo o Regimento de Infantaria n.º 11, que se acha neste Quartel, para ir com alguma tropa miliciana e com as ordenanças que se ponham [?] juntar a alguma posição vantajosa sobre a serra da Estrela se houver tempo para isso; quando não, irei fazer-me forte sobre a ponte do Murrela[?] indicada no referido aviso de V.Ex.ª; e ali esperarei as ordens ulteriores sobre o partido de que verei tomar.
Deus guarde a V.Ex.ª.
Viseu, 24 de Novembro de 1807


Florêncio José Correia de Melo
...


Por um soldado do Regimento do meu comando recebo hoje, 19 do corrente, às quatro horas da tarde, notícia que ontem de tarde chegara uma partida de Cavalaria espanhola a Zebreira com o fim [?] de fazer quartéis para os franceses naquela vila, Rosmaninhal e Alcafozes; e como ignoro a autoridade daquela ordem e o modo com que me hei de comportar, e o número de tropa francesa que vem, rogo a V.Ex.ª me determine o que devo obrar a este respeito.

Deus guarde a V.Ex.ª
Idanha-a-Nova, 19 de Novembro de 1807.


Joaquim Rebelo Trigueiros Martel







1 comentário:

  1. Há que respeitar a cadeia de comando...., foi o que fez o meu trisavô. Para seu desagrado, a sua casa em Idanha-a-Nova, foi ocupada pelos franceses, que levaram uns "presentes".

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