terça-feira, 16 de agosto de 2011

Carta de Manuel Pais d'Aragão Trigoso, Vice-Reitor da Universidade de Coimbra, ao General Bernardim Freire de Andrade (16 de Agosto de 1808)



Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor:



Recebi a carta de Vossa Excelência e por ela vejo que o Quartel-General do nosso Exército ainda se conserva nessa cidade, contra as notícias que aqui corriam; parece-me muito bem acertado que se conserve e ponha em ponto conveniente uma força tal que obste a qualquer tentativa que o inimigo faça para atacar estas províncias, e sempre esperei que o Conselho tomasse esta deliberação. O Batalhão de Granadeiros do n.º 11 e 24 foi para Tomar com o Regimento de Penamacor, na forma das ordens que Vossa Excelência mandou a Agostinho Luís; o Batalhão de Caçadores de Trás-os-Montes ainda aqui não chegou, em vindo irá imediatamente incorporar-se a esse Exército. Agora mesmo acabo de receber uma carta do Senhor Bispo do Porto, e dentro dela a inclusa para o General inglês, que Vossa Excelência lhe fará enviar. Eu remeti a de Vossa Excelência no mesmo dia em que me chegou à mão, mas o Senhor Bispo ainda a não tinha recebido quando me escreveu; porque me diz não ter ainda notícias da marcha do Exército; e já me tinha procurado em outra carta as forças que me ficaram em Coimbra, e quem era o Comandante delas; diz-me também que ainda lhe dá bastante cuidado o inimigo pelas forças de doze ou treze mil homens que ainda tem no Reino de Leão. Os Voluntários de Aveiro que Vossa Excelência mandou vir para aqui chegaram com efeito; mas o estado em que vi esta chamada Tropa é tal que, julgando seguramente que ela me vinha a servir aqui de muito peso e de nenhuma utilidade, a mandei retirar ao terceiro dia para Aveiro.
Deus guarde a Vossa Excelência muitos anos.
Coimbra, 16 de Agosto de 1808.


Manuel Pais d'Aragão Trigoso



[Fonte: António Pedro Vicente, "Um soldado da Guerra Peninsular - Bernardim Freire de Andrade e Castro", in Boletim do Arquivo Histórico Militar, n.º 40, 1970, pp. 202-571, p. 440].

1 comentário:

  1. A este propósito, é tempo de Coimbra ter, tal como Lisboa e Porto têm, um monumento aos heróis da Guerra Peninsular. Ao Batalhão Académico, por exemplo.

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