sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Carta do General Wellesley ao Duque de Richmond, Lord Tenente da Irlanda (9 de Setembro de 1808)



Zambujal, 9 de Setembro de 1808.



Meu caro Duque:

Não ocorreu nada em particular desde que vos escrevi pela última vez; os franceses evacuarão Lisboa, de acordo com a Convenção, assim que os transportes estiverem prontos; e os russos concluíram uma Convenção com o Almirante [Charles Cotton] sobre a sua frota, que será por eles levada para um porto britânico. Ainda não vi nenhuma destas Convenções, e não vos posso dizer quais são os seus conteúdos; mas estou convencido que nenhuma delas é como deveria ter sido, se tivermos em conta o sucesso do exército. Contudo, a nação obteve a honra de reconquistar Portugal, e de restaurar o legítimo regente no seu governo; e espero que [os portugueses] fiquem satisfeitos com estas vantagens.
Tenho apenas a lamentar o facto de ter assinado o acordo para a suspensão de hostilidades, sem o ter negociado. Já vos disse as razões que me levaram a fazê-lo, mas duvido que tanto a boa vontade como a deferência à opinião e às ordens dum oficial investido Comandante em Chefe no dia em que tomou o comando, bem como ainda o desejo de não querer ser considerado como o chefe dum partido contra a sua autoridade, podem ser consideradas desculpas suficientes para um acto que não posso justificar sobre outros fundamentos. Contudo, para além de aconselhar medidas mais enérgicas, e que o Comandante em Chefe insistisse em termos melhores, não tive nada a ver com os negócios subsequentes. 
Estou farto de tudo o que passa aqui, e, sinceramente, quem me dera nunca ter deixado a Irlanda, e que estivesse aí convosco.
Dai recordações cordiais minhas à Duquesa.
Acreditai em mim, etc., 

Arthur Wellesley

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