segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nova Grammatica Portugueza e Ingleza. A qual serve para instruir aos portuguezes na lingua ingleza (edição de 1808)






A obra cujo frontispício se pode apreciar acima poderia passar despercebida para os estudiosos das guerras napoleónicas, não fosse precisamente o contexto em que apareceu publicada e a sua suposta autoria. Impressa em Londres no ano de 1808, esta Nova Grammatica Portugueza e Ingleza tinha o propósito, como se indicava no subtítulo, de instruir aos portuguezes na lingua ingleza. Apesar de publicada anonimamente, Inocêncio da Silva, referindo-se à segunda edição desta obra, "revista e consideravelmente aumentada", diz que o seu autor teria sido nada menos do que José Hipólito da Costa [Cf. Innocencio Francisco da Silva, Diccionario Bibliographico Portuguez - Tomo Terceiro, Lisboa, Imprensa Nacional, 1859, p. 199]. Contudo, devemos ter em conta que esta gramática não era tão nova como constava no título, pois tratava-se na verdade duma cópia quase integral duma outra gramática, da autoria de Jacob de Castro Sarmento, a qual tinha sido publicada originalmente em 1751 [ou talvez melhor, inserida na segunda edição da Grammatica Anglo-Lusitanica & Lusitano-Anglica: Or, a New Grammar, English and Portuguese, and Portuguese and English, London Printed for W. Meadows, 1751; confrontar, entre outras reedições, com a edição portuguesa de 1777]. 



Ainda que o próprio prefácio da edição de 1808 se baseie no da edição original de 1751, a sua leitura permite deduzir que Nova Grammatica Portugueza e Ingleza foi publicada já depois do conhecimento, obviamente na Inglaterra, tanto das revoltas dos portugueses contra os franceses, como da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, ou seja, a meados do terceiro trimestre de 1808:




Esta edição de 1808, que viria a ser reeditada pelo menos três vezes (em 1811, 1818 e 1828), tem a particularidade de incluir um glossário bilingue (não disponível nas edições acima mencionadas da Grammatica de Jacob de Castro) das palavras mais usadas na conversação, organizadas por temas, entre as quais se encontram as coisas pertencentes à guerra, como não podia deixar de ser pelo contexto em questão:













Finalmente, resta acrescentar nestas poucas linhas que a Nova Grammatica de 1808 mereceu a seguinte revisão crítica, dada à estampa numa publicação anti-jacobina inglesa:




The Antijacobin Review and Magazine; or, Monthly Political and Literary Censor: from January to April (inclusive) 1808. With an Appendix, containing an Ample Review of Foreign Literatura - Volume XXIX, London, 1808, pp. 491-492.




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