quinta-feira, 14 de julho de 2011

Carta do Almirante Charles Cotton à Junta de Governo de Sines (14 de Julho de 1808)




O infra-escrito Almirante e Comandante da esquadra britânica na altura do Tejo recebeu com sumo prazer os agradecimentos dos leais habitantes de Sines, Santiago e das vilas e lugares circunvizinhos, aos quais tem a satisfação de [as]segurar que um exército britânico está próximo a chegar em socorro deste Reino, no presente empenho que tem entre mãos de manter tudo quanto é caro aos homens para a conservação da sua santa religião e restauração de seu legítimo Príncipe, para a protecção de suas mulheres e filhos, a independência, e ainda mesmo a existência do seu país. É escusado dizer se aos verdadeiros e leais portugueses, actualmente animados à acção que estes objectos bem valem quaisquer sacrifícios de comodidades, conforto, descanso e da mesma vida. O espírito de patriotismo fará soldados, e não se esqueça nunca que os opressores de Portugal não são mais que homens, e que são poucos: não poderão resistir a uma população justamente indignada e irritada.
Ainda que toda a assistência que a Grã-Bretanha puder fornecer ao seu antigo aliado será dada numa causa tão virtuosa, justa e honrosa, sem embargo disto tudo necessariamente há de depender da energia e esforços dos naturais de Portugal; por sua conta está manifestar o espírito de seus predecessores, e mostrar que a mocidade lusitana, noutro tempo a mais florescente e esforçada das nações, ainda conserva o seu nativo valor, e, actualmente irritada pela opressão, determina combater com zelo por Deus, por sua religião, por seus pais, mulheres e filhos, pela restauração do seu Príncipe e conservação da Pátria.
Por todas as partes do norte de Portugal, a voz geral é vencer ou morrer, e a única divisa que se traz inscrita: Liberdade e vingança.
Logo que chegarem as tropas de Inglaterra, as quais por instantes se esperam, o número pedido com as armas e competente porção de munições será expedido sem demora para Sines.
Dada a bordo da nau de Sua Majestade Britânica a Hibernia, na altura do Tejo, 14 de Julho de 1808.

C. Cotton

[Fonte: José Accursio das Neves, Historia Geral da Invasão dos Francezes em Portugal, e da Restauração deste Reino - Tomo V, Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1811, pp. 40-41].

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