domingo, 26 de junho de 2011

Notícias publicadas na Gazeta de Lisboa (26 de Junho de 1808)



Lisboa, 26 de Junho

O Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Duque de Abrantes, General em Chefe do Exército de Portugal, acaba de dirigir a Proclamação seguinte aos habitantes de algumas partes das províncias de Entre-Douro e Minho e dos Algarves; os quais, deixando-se levar de conselhos pérfidos, se sublevaram, sem calcular a impossibilidade do bom êxito durável de uma tão desatinada empresa, e sem ver que esta vã agitação só podia redundar em proveito do inimigo comum, e vir a parar na sua ruína inevitável.


[seguia-se a proclamação de Junot de 26 de Junho de 1808]


[...]


As notícias de Espanha, imparcialmente analisadas, são tão satisfatórias quanto se possa esperar na conjuntura actual, enquanto os reforços de tropas francesas, que se adiantam de todas as partes, não acabam de chegar à sua destinação. 
A revolta cessou de estender-se, e os seus chefes começam já a conhecer que é mais fácil mover a multidão contra a autoridade legítima, que contê-la depois nos limites que convêm à sua ambição; vários dentre eles têm já perecido, vítimas daquela mesma fermentação que tão imprudentemente excitaram. Os demais conhecem que para uma multidão alucinada com loucas esperanças, tudo é belo nos primeiros dias; mas que quando, sem estar o ânimo afeito às armas e à disciplina, é preciso abandonar a família e a casa, para ir arrostar a fadiga e uma morte quase certa contra os vencedores da Europa, contra as tropas mais aguerridas que têm havido no mundo, facilmente falta a paciência, e em breve é revezada pelo dissabor. 

[Fonte:  2.º Suplemento à Gazeta de Lisboa, n.º 25, 26 de Junho de 1808]. 

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