domingo, 26 de junho de 2011

Carta do General Pierre Arnaud, Ajudante e Oficial do Estado-Maior de Junot, ao General espanhol Juan Carrafa (26 de Junho de 1808)




No Quartel-General de Lisboa, 26 de Junho de 1808, às 5 da manhã.




Ao senhor Carrafa.



Créditos: Miguel Ángel García
Senhor General:

Comuniquei a Sua Excelência Monsenhor o General em Chefe Duque de Abrantes a carta que me haveis dado a honra de me escrever ao mesmo tempo que [fizestes] as vossas observações verbais.
[Junot] encarrega-me de prevenir-vos que as circunstâncias; a conduta que têm na cidade uma parte dos senhores oficiais espanhóis, dos quais muitos faltaram à sua palavra de honra escapando-se; tudo obriga a generalizar a ordem que tinha antes dado para que só embarcassem 4 capitães por batalhão e 2 oficiais por companhia.
Consequentemente, estou encarregado de avisar-vos que todos os oficiais espanhóis devem passar a bordo no dia de hoje 26; encontrarão embarcações prontas para passar a bordo na casa do senhor Capitão de navio Magendie, Comandante em Chefe da Marinha, no Arsenal.
Só estão isentos desta medida e só poderão ficar em terra os vossos senhores Ajudantes de Campo, os Coronéis e os Tenentes-Coronéis, e os oficiais que têm aqui suas mulheres.
Rogo-vos, senhor General, que queirais comunicar o mais prontamente possível estas disposições aos senhores oficiais e aviso-vos de que os que não obedecerem à presente ordem estarão expostos a ser presos pelos postos de guardas e patrulhas que receberão a ordem correspondente.
Tenho a honra de saudar-vos com respeito.
O Ajudante-Comandante-Chefe do Estado-Maior da 1.ª Divisão, 




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Nota:



Como atrás indicámos, Junot reagiu à rebelião do General espanhol Belestá mandando prender diversos corpos de tropas espanholas que se encontravam nas imediações de Lisboa. É sabido que os soldados espanhóis que não conseguiram fugir e regressar à Espanha (como por exemplo os do Regimento de Múrcia) foram aprisionados dentro de navios ancorados no Tejo, mas pelo que se deduz do documento acima publicado, somente foram obrigados a seguir o mesmo destino 4 capitães por batalhão e 2 oficiais por companhia, permitindo-se que os restantes não fossem encarcerados sob palavra de honra que não tentariam fugir. 

No entanto, muitos dos oficiais espanhóis que não tinham sido presos faltaram às suas promessas e acabaram por fugir nos dias seguintes. Em consequência, Junot manda um dos seus Ajudantes, o General Pierre Arnaud, dar novas ordens ao General espanhol Juan Carrafa. Estas novas ordens, que são as acima publicadas, previam que a prévia ordem de aprisionamento se generalizasse a todos os oficiais, excluindo contudo os "Ajudantes de Campo, os Coronéis e os Tenentes-Coronéis, e os oficiais que têm aqui suas mulheres".

A descoberta deste documento deve-se a Miguel Ángel García, a quem agradecemos publicamente pela troca de informações e por ter revelado no seu blog 1808-1814escenarios.blogspot.com uma cópia desta ordem assinada pelo próprio General Juan Carrafa (e por nos ter enviado uma digitalização melhor), cópia essa traslada ao Coronel de artilharia D. Martín García y Loigorri [sic] com a seguinte informação:



É cópia da original que recebi e passo-a a Vossa Senhoria para que comunique-a imediatamente a todos os oficiais do seu corpo para seu cumprimento, acusando-me o recibo.
Lisboa, 26 de Junho de 1808.
Juan Carrafa


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