quarta-feira, 8 de junho de 2011

Aclamação do Príncipe Regente em Braga (8 de Junho de 1808)


O Arcebispo de Braga, D. José da Costa Torres, sabendo por um expresso, no dia 8 de Junho, que os espanhóis tinham prendido na vila de Viana [do Castelo] alguns franceses que aí se achavam, e constando-lhe quase ao mesmo tempo da prisão dos do Porto, mandou imediatamente descobrir as Armas Reais no paço arquiepiscopal, e passou ordem à igreja primacial para se restituir na missa a colecta pelo Príncipe Regente e mais pessoas da Real Família. Houveram patriotas zelosos que, animados pelo exemplo do Arcebispo, fizeram soar instantaneamente pela cidade as vozes da aclamação: o clero especialmente as repetia e propagava com ardor; mas também houve um pequeno partido que se lhes opôs, composto ou de portugueses degenerados ou de espíritos fracos e vacilantes, o que quanto aos efeitos vale o mesmo; e chegando entretanto a notícia de que no Porto se havia retrocedido, também ficou tudo paralisado em Braga. 
O Arcebispo não retrocedeu, porque a fidelidade é nele a toda a prova, e constância uma das virtudes que lhe conheço por experiência. Devo este testemunho a um prelado respeitável de quem recebi as lições na Universidade no último ano, que ocupou a cadeira de História Eclesiástica, e cujo exemplar comportamento é bem patente a todos os que o conhecem. Ele porém esteve em perigo, porque o partido oposto tentou perdê-lo, procurando atestados e formando queixas contra ele ao intruso Junot, que não deixaria de vingar, se pudesse, este ultraje ao seu governo. A aclamação formal em Braga ficou demorada até 20.

[Fonte: José Accursio das Neves, Historia Geral da Invasão dos Francezes em Portugal, e da Restauração deste Reino - Tomo III, Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1811, pp. 124-126].



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