terça-feira, 26 de julho de 2011

Carta do General Wellesley a Lord Castlereagh, Secretário de Estado da Guerra (26 de Julho de 1808)




H.M.S. Crocodile, 26 de Julho de 1808 


Meu Senhor: 

Tenho a honra de vos informar que no passado dia 22 reuni-me com a esquadra [britânica] diante do Cabo Finisterra, e que continuei a minha viagem neste navio em direcção ao Porto (deixando para trás a esquadra, com ordens para me seguir), onde cheguei no dia 24, e a esquadra na manhã seguinte. 
Nessa noite vi o Bispo do Porto, que está à frente da Junta, bem como os oficiais Generais comandantes das tropas portuguesas; e fui informado por eles e pelo Tenente Coronel Brown que as milícias e as tropas regulares portuguesas que foram reunidas totalizam cerca de 5.000 homens, que foram postados em Coimbra, na província da Beira, a cerca de oitenta milhas do Porto, na direcção de Lisboa. Para além destas tropas, estavam previamente no Porto cerca de 1.200 paisanos armados de diferentes maneiras, e um corpo de cerca de 1.500 portugueses e 300 espanhóis de infantaria, para além de voluntários e paisanos. A totalidade destas tropas, contudo, está mal armada e mal equipada. Creio que os paisanos não têm armas mas sim chuços, e aquilo que se chama infantaria regular está composta por indivíduos pertencentes a diferentes corpos do exército português. O corpo da infantaria espanhola que consiste em 2.000 homens que foram ordenados a marchar da Galiza para Portugal, sobre o qual informei V.ª S.ª na minha carta do passado dia 21, não deixou o primeiro reino, segundo as últimas notícias, e não era esperado no Porto. 
Trezentos soldados da marinha pertencentes à esquadra comandada pelo Capitão Bligh, do H.M.S. Alfred, que também se deteve aqui, estão ocupando um posto na Figueira, sobre o rio Mondego, que desagua para o mar na baía do Mondego. 
Quando cheguei ao Porto, recebi uma carta de Sir Charles Cotton do passado dia 9, cuja cópia vai anexa, na qual o Almirante recomenda que eu devo deixar a frota ancorada a norte e dirigir-me à boca do Tejo para me comunicar consigo, visto que supõe que é mais aconselhável que as tropas desembarquem na baía do Mondego ou em Peniche. Pedi por conseguinte ao Capitão Malcolm para ancorar no Mondego, e estou indo agora para a boca do Tejo. 
Enquanto estive no Porto, requeri ao Bispo para me providenciar 150 cavalos para a remonta do regimento n.º 20 de Dragões, cujo corpo tem aproximadamente esse número de homens desmontados. Também lhe requeri para providenciar às tropas 500 mulas de tais características que tanto pudessem ser utilizadas para levar cargas como para montarem os transportes, as quais tenciono empregar nos transportes das munições dos mosquetes e das ferramentas de trincheiras (por não haver no exército carroças ou carros para as ditas munições e ferramentas), de uma certa quantidade de provisões, e, se o achar necessário, do equipamento de campo do exército. O Bispo prometeu que eu teria os cavalos e mulas em Coimbra quando o exército desembarcasse, se eu decidir ordenar o desembarque na baía do Mondego. Também fiz um acordo com ele para que as tropas fossem abastecidas de carne fresca, e com forragens e grão os cavalos da cavalaria e da artilharia, bem como as mulas do exército. 
Tendo combinado todas estas disposições, voltei a embarcar e parti do Porto durante a noite do passado dia 24, juntei-me à esquadra na manhã do dia 25, e agora estou indo para o Tejo. 
Tenho a honra de ser, etc. 

Arthur Wellesley 

[Fonte: Lieut. Colonel Gurwood (org.), The Dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington, K. G. during his various campaigns in India, Denmark, Portugal, Spain, the Low Countries, and France, from 1799 to 1818 – Volume Fourth, London, John Murray, 1835, pp. 34-35]. 

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