quarta-feira, 15 de junho de 2011

Excerto de uma carta do Vice-Almirante Collingwood ao Secretário do Almirantado britânico, William Wellesley-Pole (14 e 15 de Junho de 1808)



Ocean, na barra de Cádis, 14 de Junho de 1808

Senhor:

Na minha carta datada do passado dia 12, informei-vos, através do Alphea, que foi solicitado um navio para levar à Inglaterra os comissários nomeados pela Junta Suprema de Sevilha, para assentarem com os ministros de Sua Majestade aquelas questões que são importantes para o interesse de ambos os país. Como o Almirante que comanda o porto de Cádis é um dos deputados, os membros do Conselho acharam que ele não devia partir antes da rendição dos navios franceses, que ocorreu esta manhã.
Os espanhóis construíram uma bateria adicional de trinta peças de artilharia pesada, e posicionaram numerosas embarcações com armas e bombas: às sete horas desta manhã atacaram as cores dos navios franceses, e pouco depois os espanhóis hastearam a bordo as suas [cores]. Os navios franceses, segundo percebo, não foram danificados de todo, pois os espanhóis queriam-nos para o seu próprio uso; nem tampouco houve muitas perdas de homens em ambos os lados.
O Governador, desde há alguns dias (e antes de eu chegar aqui) requereu ao Major-General Spencer para se dirigir a Ayamonte, para se opor a um destacamento do exército francês, que se dizia estar a marchar de Portugal pela costa; e ontem os navios-transportes, debaixo da protecção do Zealous, chegaram àquela zona, onde o Windsor Castle tinha conduzido um destacamento no dia anterior.


15 de Junho


O Governador de Cádis notificou-me que os comissários [da Junta de Sevilha] estarão prontos para embarcar [para a Inglaterra] em dois dias. Como o Revenge foi estacionado perto da cidade, onde Sir John Gore teve muitas conferências com o Governador e com os Chefes em comando durante as últimas operações, e testemunhou o temperamento e disposições do povo, ordenei que esse navio os recebesse, e que ele pode dar aos ministros de Sua Majestade a informação que eles desejam sobre as suas próprias observações, bem como sobre o presente estado desta parte da Espanha.
Foi-me feito um requerimento esta tarde, pela Junta Suprema de Sevilha e pelo Governador de Cádis, para dar um passaporte a uma fragata espanhola e a quatro embarcações para levar despachos aos vários Governos e presidências das Índias Ocidentais [América], com informações dos eventos que se passaram na Espanha e com as suas instruções aos Governadores; e também que uma chalupa canhoeira [britânica] possa levar oficiais àqueles territórios onde a sua presença seja importante; eles instam esta medida em preferência à sua ida numa embarcação espanhola, para que se prove a sua conexão com a Grã-Bretanha.
Tenho a honra de ser,

Collingwood



2 comentários:

  1. Caro Edgar: em primeiro lugar deixe-me felicita-lo pelo seu excelente blogue. Julgo que ao referir "ponte" o texto utiliza o termo no sentido de local de comando, como as pontes dos navios. E refere-se concerteza ao pano redondo da muralha, que controlava o cais da Ribeira mandado construir no século XVI e que apenas foi destruído nos anos 70 do século XIX quando se abriu a rua de acesso à nova Alfândega. Existem fotografias contemporâneas da ponte Pênsil. A ponte das Barcas era demasiado afastada da Alfândega Velha para ser considerada. Esta é a minha opinião.RF

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  2. Caro professor:

    Fico muito agradecido pela sua resposta e elogio.
    Volte sempre.

    Cumprimentos

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