sábado, 10 de setembro de 2011

Carta da Junta de Beja ao General Dalrymple (10 de Setembro de 1808)





Beja, 10 de Setembro de 1808.



Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Comandante em Chefe do Exército britânico:

A Junta Suprema desta cidade e província, reconhecendo em Vossa Excelência todas as qualidades e virtudes capazes de suportar o carácter duma nação verdadeiramente grande (a generosa Inglaterra), verdadeira amiga do nosso amado Soberano, tem a satisfação de manifestar a Vossa Excelência os nossos sentimentos mais puros de amizade e de gratidão.
Até agora, nenhuma circunstância desconcertou o patriotismo da cidade de Beja ou das povoações dos arredores, que têm todas, como a própria cidade, continuado a ser subordinadas e unidas, para dar a maior prova do seu amor e fidelidade pelo seu legítimo Soberano, em cujo coração habitam as virtudes.
Todos têm conhecimento da assistência que nos foi enviada pela Grande Nação (pelos generosos ingleses) tal como pelos nossos amigos fraternos, os espanhóis.
Portugal mereceu isto; e as três nações unidas protegerão a religião, restaurarão os Soberanos, e aliviarão os sofrimentos do país. E chega agora o tempo dos opressores experienciarem não só o que merecem enquanto inimigos, mas mais ainda enquanto delinquentes. Vossa Excelência sabe que eles não foram simples intrusos, mas que a sua audácia ilimitada lançava-se contra a dignidade da Casa de Bragança, o que feriu os corações dos portugueses, e que somente pode ser curado pela destruição destes inimigos. Começando por ofender a Sua Majestade humana, eles elevaram os seus insultos até mesmo contra a Divina Majestade, cujos altares saquearam. Os portugueses, fiéis cristãos, e a província do Alentejo, provaram ser homens dignos, unidos à Junta Suprema, estando perfeitamente dispostos a derramar a última gota do seu sangue em defesa da sua religião, do seu Soberano e do seu país. O povo de Lisboa é irmão do povo do Alentejo; e ele irá, em companhia com este, procurá a vitória, ou morrer gloriosamente na batalha contra o vil inimigo, ao qual não se pode dar permissão para deixar a capital sem impunidade, quando eles, pelos seus crimes, ofenderam tanto a religião como a humanidade.
A Junta Suprema tem liberdade de sentimentos, estando segura que Vossa Excelência a receberá favoravelmente, pelos ditos sentimentos estarem em consonância com os vossos. Vossa Excelência, que se uniu a nós para vencer, unir-se-á também para punir.
A Junta Suprema é sensível do pouco uso da vida, quando esta não é arriscada durante algum tempo em defesa da nossa religião ou do nosso Rei. Morrer como mártir pela religião ou pelo patriotismo é, em ambos os caso, morrer com glória, quando a ocasião o requer. E requeremos que Vossa Excelência permitir-nos-á tomar uma oportunidade de digna emolução da nação portuguesa.
Esta Junta Suprema ama, no mais alto grau, a nação britânica; e por Vossa Excelência, o seu valoroso General, eles têm a mais alta consideração.


D. João José Mascarenhas de Azevedo.
D. Silvestre dos Santos Chaves.
D. António Joaquim d'Oliveira.
D. Diego da Buenha Sotto, Major.
D. Manuel do Cabo de Arcez.


[Fonte: Copy of the Proceedings upon the Inquiry relative to the Armistice and Convention, &c. made and conclued in Portugal, in August 1808, between The Commanders of the British and French Armies, London, House of Commons Papers, 31st Jannuary 1809, p. 214 (doc. 127)].

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