terça-feira, 2 de agosto de 2011

Carta da Junta de Governo de Sines ao Almirante Charles Cotton (2 de Agosto de 1808)




Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor:

Representamos a Vossa Excelência as tristes circunstâncias em que actualmente nos achamos. Hoje aparece aqui um emissário, que na maior aflição nos faz ver que a cidade de Évora, capital do nosso Alentejo, se acha possuída por 6.000 homens franceses: acometeram o corpo das nossas tropas que guarneciam a mesma cidade, ficando muitas destas destruídas. Diz mais, que os inimigos têm degolado muitos dos habitantes, e que os principais destes estão debaixo de prisão tratados desumanamente. Portanto de novo imploramos o socorro de Vossa Excelência, para que sem perda de tempo nos queira subministrar as munições de que tanto carecemos, e agora mais do que antes, em virtude deste acontecimento, que acresce. Rogamos, além do que tínhamos pedido a Vossa Excelência, e para o que aí se acha ainda um emissário nosso, mais 390 clavinas, 400 pistolas, 500 espadas, e fuzis mais os que puder dispensar depois dos 400 que já exigimos, e junto a isto toda as munições que possa liberalizar-nos.
Consta-nos que em Mértola, 9 léguas distante de Beja, se tem desembarcado as bagagens de 3.000 homens espanhóis, cuja chegada ansiosamente esperamos, assim como a das tropas inglesas, para mais brevemente nos desafrontarmos do inimigo comum. Desejávamos que o porto de Setúbal nos ficasse livre dos ditos franceses, para que fazendo-nos ali reforço, obstássemos à retirada dos que estão em Évora para Lisboa, mas isto só nos parece que será favorável com a mediação de Vossa Excelência, que Deus guarde muito anos.
Sines, em Junta do Governo de 2 de Agosto de 1808.

[seguiam-se as assinaturas do Presidente e dos Deputados].

[Fonte: José Accursio das Neves, Historia Geral da Invasão dos Francezes em Portugal, e da Restauração deste Reino - Tomo V, Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1811, pp. 43-44].

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