segunda-feira, 7 de março de 2011

Carta de Napoleão a Junot sobre a partida das tropas espanholas de Portugal (7 de Março de 1808)




Paris, 7 de Março de 1808 



Recebi a vossa carta de 23 de Fevereiro, onde fui informado que o General Solano partiu com a sua divisão para se deslocar a Badajoz, onde, ao que parece, chegará a 10 de Março. Por pouco senso que tenhais, deveis ter mandado seguir essa divisão por metade da vossa cavalaria, uma divisão de cinco a seis mil homens e dezoito peças de canhão. Se ainda não o fizestes, fazei-o imediatamente. Que essa divisão, comandada por um dos vossos melhores generais, se reúna em Elvas, passe uma parte a Burgos [sic; Napoleão quereria dizer Badajoz], e tome atenção ao que se passa. Ou o General Solano se dirige para Cádis, ou se dirige para Madrid; se se dirige para Cádis, essa divisão pode repousar em Elvas, e, sob o pretexto de se enviarem oficiais para Cádis, a própria divisão será enviada em perseguição do General Solano, para reconhecer as suas movimentações e agir conforme as circunstâncias; se se dirige para Madrid, é necessário supor que a Corte de Espanha desconfia de mim; assim, o que deveis fazer é conter o General espanhol e impedi-lo que faça alguma diversão. Hoje é dia 7; recebereis esta carta a 17; se ainda não reunistes a vossa divisão em Elvas, as vossas tropas não estarão lá antes do dia 23. O destino do General Solano será decidido, e, mal chegue a Elvas, a vossa divisão será informada dos acontecimentos que estão por vir e agirá em consequência. 
Estarei em Burgos provavelmente a 12 de Março. Tentai fazer com que eu encontre por lá um dos vossos Ajudantes de Campo que me traga as vossas novidades. O vosso exército deve ser dividido em três corpos: um para conter Lisboa, um para poder deslocar-se de Elvas para onde seja necessário, e a outra parte para conter a divisão da Galiza. Não deveis inquietar-vos; tenho tropas para fazer frente a tudo. Não deveis ter receio dos ingleses, pois a estação ainda não é propícia. Os portugueses podem servir-vos. Não faleis alto contra os espanhóis a não ser quando os acontecimentos já tiverem eclodido. Até lá, deveis contentar-vos com simples insinuações. 

Uma das vossas divisões deve conter a divisão da Galiza. Não deixareis de insinuar nas conversações, mas sem o tornardes público, que os meus diferendos com a Espanha derivam do facto de eu não querer dividir Portugal, enquanto a Espanha quer dar metade ao Príncipe da Paz e a outra metade à rainha da Etrúria. Se estes rumores fizerem efeito nos portugueses, de maneira a que julgues que podereis tirar partido deles, podereis empregá-los, uma metade em Elvas, e outra metade em Almeida, para conter a divisão espanhola da Galiza. Se a vossa comunicação começar a ser interceptada, deveis agir segundo as circunstâncias e as novidades que ouçais. 

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Fonte:

Na edição da Correspondance de Napoléon Ier – Tome XVI [Paris, Imprimerie Impériale, 1864, pp. 465-466 (n.º 13627)], o último parágrafo desta carta foi omitido, somente se encontrando na edição das Lettres inédites de Napoleón Ier - Tome Premier (An VII - 1815)  [Paris, Librairie Plon, 1897, p. 161 (n.º 239)]. 




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