terça-feira, 10 de novembro de 2009

Preparativos para a invasão a Portugal



Napoleão não via grandes problemas na ocupação de Portugal. De facto, mesmo antes de saber se o príncipe regente D. João aceitava ou não os termos do ultimato que determinava que os portos portugueses deviam ser fechados aos ingleses até ao dia 1 de Setembro de 1807 e apreendidas as mercadorias e bens britânicos em Portugal, o imperador francês ordenou a criação de um exército de 25.000 homens na cidade de Bayonne, junto à fronteira com a Espanha. Sendo que a Espanha era então aliada da França, o objectivo desse corpo, nomeado de Corpo de Observação da Gironda, era óbvio (como perceberá o embaixador português na França, D. Lourenço de Lima, quando por aí passa a caminho de Portugal, em finais de Outubro, depois de ser obrigado a afastar-se da França)...
Talleyrand, ministro dos negócios estrangeiros, sempre se opôs ao plano de Napoleão, que apelidou de "imoral e perigoso", e que, ademais, visava a conquista da Espanha e o afastamento dos Bourbons. Segundo Talleyrand, que apesar de ter sido afastado do seu cargo a 9 de Agosto sabia muito bem as intenções de Napoleão, o pretexto da invasão a Portugal não era mais que uma forma de introduzir na Espanha, "sob o disfarce da amizade, forças suficientes para evitar ou reprimir qualquer resistência". Portugal, ao hesitar perante o ultimato de Napoleão, servia de perfeito álibi para a concretização desse plano.
O Corpo de Observação da Gironda tardou, no entanto, mais a preparar do que se esperava. De facto, Junot só é nomeado General em Chefe do dito Corpo no dia 5 de Setembro, enquanto que outros Generais franceses só chegam a Bayonne já em meados de Outubro. Por outro lado, de acordo com uma carta que Junot escreveu a Napoleão, na data de 10 de Outubro, ainda faltavam então alguns milhares de homens para completar o dito Corpo. O imperador francês aproveita este atraso e a indecisão da corte portuguesa para alargar o prazo de cumprimento do ultimato, alargamento este que também foi motivado pelas desconfianças que tinha em relação a Godoy. Relembremos que, em 1801, Godoy tinha invadido Portugal sem esperar pelas tropas de Napoleão (fazendo logo um acordo de paz que não foi ratificado pelo imperador). Em 1806, perante uma iminente derrota de Napoleão na zona da actual Alemanha (contra a coligação russa-prussa-britânica), Godoy tinha apressadamente chamado às armas todo o povo espanhol (sem no entanto nomear quem era o inimigo). Perante um aliado destes, Napoleão não sabia muito como agir.
Uma invasão terrestre a Portugal tinha obrigatoriamente que passar pelo território espanhol, mas como fazê-lo sem obstáculos?





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