quarta-feira, 20 de julho de 2011

Edital da Junta do Porto reabrindo os processos de justiça que se tinham mandado suspender a 26 de Junho (20 de Julho de 1808)

Edital da Junta do Porto levantando o sequestro dos haveres pertencentes a britânicos e determinando o sequestro dos haveres pertencentes a franceses (20 de Julho de 1808)

Edital da Junta do Porto ordenando que se reunissem aos seus respectivos regimentos os oficiais que ainda não o tivessem feito (20 de Julho de 1808)






Notícias publicadas na Gazeta de Lisboa (20 de Julho de 1808)



Lisboa, 20 de Julho


Anunciam diversas cartas de Badajoz e seus arredores que era ali mui vivo o desassossego entre os chefes dos rebeldes, por terem recebido de Madrid a notícia de que um corpo de tropas francesas se adiantava para aquela vila, a fim de dar auxílio ao exército de Portugal. Este boato, apesar do cuidado com que se procurava encobri-lo, transpirou entre o povo, o qual clamava já que se via cercado e entre dois fogos, o que não pode deixar de acontecer-lhe, mais cedo ou mais tarde. Algumas pessoas chegavam a dizer que o dito corpo se tinha já avistado nos contornos de Trujillo. 

Alguns indivíduos, em violação do decreto do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Duque de Abrantes em data de 5 de Abril, persistiam em manter comunicação com a esquadra inglesa; e outros, em levar-lhe mantimentos. Por vezes se lhes advertiu, com ameaça, que pusessem termo a um tráfico tão criminoso e tão arriscado, a não quererem expor-se às penas as mais severas; prevaleceu porém o engodo de um lucro miserável. Conseguintemente, 4 dos ditos indivíduos foram presos na Trafaria, ao tempo que voltavam; e não puderam negar o seu delito. Outros indivíduos do mesmo género existem na outra margem do Tejo; mas são conhecidos, e sobre eles se vigia, de maneira que tampouco poderão escapar, se continuarem a proceder assim. Em breve se deve decidir, de um modo exemplar, a sorte dos que já estão presos.

Como é melhor atalhar o mal que puni-lo, cumpre dar a saber aos inventores de fábulas absurdas e aos distribuidores de notícias extravagantes que algumas das lojas de bebidas que lhes serviam de ponto de reunião se mandaram fechar, os dias passados, por não haverem [os] seus donos tido a resolução nem de fazê-los calar nas conversações em que ali entravam, nem de ir denunciá-los à polícia, segundo a ordem que para isso tinham, e como o fazem prudentemente vários outros.
Também foram chamados alguns dos que espalham imposturas nas sociedades e nos lugares públicos, uns para serem admoestados severamente, e outros para estarem alguns dias reclusos nos cárceres da Inquisição que foi, a fim de aprenderem ali a haver-se com mais reserva tanto nas conversações como nas suas correspondências com os países inimigos ou revoltados.
Ninguém por certo deve ser responsável pelo conteúdo das cartas que recebe, ainda quando cheguem por vias clandestinas, se bem que então se fazem naturalmente suspeitas. Pode-se porém evadir este inconveniente com facilidade, e ficar livre de toda a exprobração, indo sinceramente comunicar à Autoridade competente as cartas que chegam, ou seja de países inimigos ou de partes momentaneamente revoltadas, quando anunciam alguma coisa que interesse o Governo.

Era de notar, havia já algum tempo, que as bandeiras ou estandartes postos nesta cidade às portas de certas tavernas, estanques ou lojas de bebidas, se multiplicavam mais que de costume; e que em algumas partes se variavam as cores destas insígnias de um modo tão equívoco que podia indicar lugares de maus ajuntamentos ou ainda de prostituição.
Portanto, os Corregedores e Juízes do Crime dos 13 bairros de Lisboa foram encarregados de mandar logo tirar os ditos estandartes, que são pelo menos inúteis, pois que as inscrições pintadas e escritas sobre as portas das lojas para designar o seu objecto bastam em todos os países. Aqueles que, 48 horas depois da ordem do Comissário do bairro, não tiverem feito desaparecer as ditas insígnias de que a malevolência poderia tirar partido para convocar os seus cúmplices, serão punidos: a primeira vez por uma multa, e a segunda, mandando-se fechar a casa onde se tiver cometido a contravenção.

Por uma Ordenança de Polícia publicada com data de 9 de Abril [...] passado, se tinha proibido que se deixasse vagar pelas ruas ou praças públicas boi ou vaca alguma que não fosse conduzida seguramente, de sorte que ficasse atalhado todo o desastre. Por 2 dias sucessivos, porém, escaparam e se introduziram nas ruas algumas vacas bravas que, decorrendo a praça do Rossio, fizeram com que corresse risco a seguridade dos pacíficos cidadãos que por ali passeavam. Uma delas até feriu perigosamente um indivíduo. Portanto foi apanhada de ordem do Senhor Conselheiro do Governo, Intendente Geral da Polícia do Reino; entregue aos soldados franceses e portugueses dos dois postos que concorreram para ter mão nela, e vendida logo por eles em seu benefício.
É de esperar que este exemplo, que não será o único, se as mesmas contravenções se renovarem, coíba aqueles que estão no hábito de deixar o seu gado andar errante pelas ruas de Lisboa.

[Fonte: 1.º Supplemento à Gazeta de Lisboa, n.º 28, 20 de Julho de 1808].

terça-feira, 19 de julho de 2011

Carta do General Castaños ao Presidente da Junta de Sevilha (19 de Julho de 1808)



Sereníssimo Senhor: 

São cinco e meia da tarde e chega um Oficial parlamentário pedindo-me que mande o General Lapeña suspender as hostilidades enquanto o General Dupont conferencia com o General Reding. Neguei-o. Pouco depois, recebo uma carta do próprio General Lapeña, manifestando que pedem a capitulação; não lhes concedo outra que a de ser prisioneiros de guerra, permitindo ao General e Oficiais a sua espada e uma mala com roupa do seu uso, em virtude dos saques que praticaram nas nossas cidades, assegurando-lhes ao mesmo tempo que serão tratados com a mesma consideração (própria da generosidade espanhola) com que foi tratada a esquadra em Cádis. Enquanto comunico detalhes, saiba Vossa Alteza que tomámos canhões, feito prisioneiros, e numa palavra, que o General Dupont está cercado. 
Deus guarde a Vossa Alteza muitos anos.
Quartel-General de Andújar, às 6 da tarde do dia 19 de Julho de 1808.

Carta do General e Castaños ao Presidente da Junta de Sevilha (19 de Junho de 1808)



Sereníssimo Senhor:

No dia 17 manifestei a Vossa Alteza o estado das nossas operações e progressos; no dia 18 o General Reding comunicou-me que entrou em Bailén às nove da manhã com a sua divisão e a do Marquês de Coupigny, reunidas segundo as minhas ordens; e que os inimigos se retiravam da dita vila para Guarromán, deixando só uma guarda que foi desbaratada. Escrevi imediatamente a Reding para que atacasse Andújar com as duas divisões pelo seu flanco, enquanto eu o executava pela frente. Ia eu executá-lo na madrugada de hoje, quando às duas dela fui informado que os inimigos evacuavam Andújar, fugindo com precipitação pelo caminho para Madrid. Não posso ocultar com admiração que os habitantes de Andújar não me deram o menor aviso.
Vendo que o inimigo se me escapava, ordenei ao General Lapeña para que com a sua divisão reforçada lhe fustigasse a retaguarda; disposição tanto mais adequada, quanto a do General Reding, que por uma carta me dizia que saía de Bailén às três da madrugada para cair às onze sobre Andújar; de modo que em virtude do seu activo e oportuno movimento, Dupont vai encontrar-se entre aquelas duas divisões e a do General Lapeña. Prometo que o resultado corresponderá às acertadas disposições do plano. 
Espere Vossa Alteza um pouco pelas notícias do desejado e preparado ataque de hoje. 
Ocupo esta cidade com a divisão do General Jones, onde tomei uma posição adaptável às ocorrências. Os inimigos deixaram nela 300 enfermos, e crê-se que o General Vedel morreu na acção de Mengíbar.
O Comandante Cruz também me enviou um aviso, segundo o qual dirigiu-se aos Baños com as suas guerrilhas, para proteger os movimentos das divisões. E se o Coronel Valdecañas seguiu as minhas instruções, encontra a ocasião mais favorável para ocupar Depeñaperros; pois por uma ordem do dia 16 do Chefe do Estado-Maior do exército francês em Bailén ao Comandante de Santa Helena, que foi interceptada, previne o dito Chefe do Estado-Maior ao mencionado Comandante para vir para Guarromán, deixando só 500 homens naquele ponto.
Deus guarde a Vossa Alteza Sereníssima muitos anos.
Quartel-General de Andújar, às 8 da manhã do dia 19 de Julho de 1808.

Francisco Xavier de Castaños

[Fonte: Demostracion de la lealtad espanola: coleccion de proclamas, bandos, ordenes, discursos, estados de exercito y relaciones de batallas publicadas por las juntas de gobierno o por algunos particulares en las actuales circunstancias - Tomo Segundo, Cádiz, 1808, pp. 75-76].

Ordem da Junta do Porto abolindo a contribuição extraordinária de guerra decretada por Junot a 1 de Fevereiro, e apelando a donativos voluntários (19 de Julho de 1808)




Carta e representação dos alentejanos à Junta Suprema da província espanhola da Extremadura, publicadas no Diario de Badajoz de 19 de Julho de 1808



Oprimidos e necessitados de meios para nos libertarmos, temos sido pavorosos espectadores da velocidade com que redobrastes os esforços para libertar o mundo e os vossos compatriotas; estes motivos fazem-nos crer que a proposição e a súplica contidas no papel adjunto que tenho a honra de vos dirigir serão atendidas por essa Suprema Junta. Dignai-vos, pois, fazê-las presentes, em benefício das mesmas povoações desta província do Alentejo, que suspiram pela honra de vos imitar.

C. J. A. de Ar.




Todas as povoações da província do Alentejo desejam ardentemente sacudir o jugo tirânico dos opressores da Europa, embora conheçam a dificuldade, estando desunidas e sem organização, e tendo que superar tanto o poder dos inimigos, como os esforços contínuos dos portugueses espúrios, que, levados pelo egoísmo mais refinado, auxiliam os nossos inimigos, inutilizam e ainda tornam terríveis os esforços e projectos melhor concebidos e esperançados. Vós, unicamente, valorosos espanhóis, socorrei-nos; vós que empreendestes a nobre e justíssima empresa de salvar a Europa, detendo o tirano do Continente no meio da carreira dos seus roubos. Ah! Salvai-nos: seja a nossa organização obra vossa. Mandai 3.000 homens que venham ajudar as nossas cidades, para criar uma Junta destinada a recolher os fundos públicos e para vigiar a organização e armamento dos nacionais. Então tereis companheiros que vos imitem e que nos libertem. Com o vosso auxílio e exemplo, seguiremos atrás de vós e evitaremos os insultos que padeceram Beja e Vila Viçosa. Temos nas nossas cidades e nas nossas vilas depositados os restos dos fundos públicos que se puderam livrar da pilhagem dos franceses. Falta-nos apenas cobrar metade das rendas anuais, que venceram no mês antecedente. As províncias podem contribuir com guerreiros robustos e animosos; porém, se uma pode dar muitos homens, os seus fundos são menores, ou talvez incapazes de manter os homens que pode levantar; ao mesmo tempo que outra, em virtude do maior comércio ou agricultura dimanada da sua localidade, pode oferecer maiores fundos e menos homens; pois que à excepção de um certo número, o outro seria um roubo feito ao cultivo dos campos ou ao comércio. Um cálculo prévio de todos os fundos existentes em poder dos morosos, e ainda uma nova contribuição que uma junta ilustrada exigisse dos povos para a sua liberdade, viria a determinar qual deve ser o número de portugueses que se deverá armar.
A nossa tropa está dispersa; mas existem os soldados animosos, que preferiram a indigência à injusta glória de ser franceses; existem as milícias, e, sobretudo, temos o vosso exemplo; amparai-nos, pois; dignai-vos proteger-nos até que possamos concorrer convosco na generosa empresa de castigar os malvados, ou morrer convosco em defesa do nosso legítimo Soberano. Assim vos pedem os vossos vizinhos oprimidos; dignai-vos escutá-los.

[Fonte: Diario de Badajoz, n.º 33, 19 de julio de 1808; republicado in Extracto de los Diarios de Badajoz, 17, 18 y 19 de julio de 1808; e na Gazeta de Madrid, n.º 113, 16 de agosto de 1808, pp. 1013-1014].

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Observações:

Refere o autor das Cartas Americanas, Teodoro José Biancardi, num outro texto seu intitulado Sucessos do Alentejo, que Federico Moretti, depois de ocupar a praça-forte de Juromenha, convidou as povoações vizinhas portuguesas, por circulares e proclamações, a reunirem as suas forças contra os franceses, como atrás referimos. Pouco depois começaram a chegar a Juromenha vários deputados destas povoações, encarregados de pedir a Moretti que organizasse as tropas e as juntas de governo, "mas ele, não querendo responder pelos resultados futuros, nem exceder as instruções das autoridades [espanholas], declarou-lhes, agradecido, que via como uma honra superior ao seu mérito as esperanças que a província do Alentejo fundava nos seus poucos talentos, ainda que sempre o achariam pronto a sacrificar a sua vida por ela; mas como não podia, sem delinquir, arrogar-se de faculdades que não lhe tinham sido concedidas, [era preferível que os deputados portugueses] recorressem a Badajoz, e que se a Junta o julgasse digno do alto cargo que eles lhe ofereciam agora, seria o dia mais feliz da sua vida aquele em que principiasse a corresponder a tão lisonjeira confiança, trabalhando com os leais e honrados portugueses pela liberdade e defesa da província" [Fonte: Successos do Alem-Téjo. Primeira Parte, Lisboa, Impressão Régia, (Outubro) 1808. Ao que nos consta não foi publicada mais nenhuma parte desta obra, cuja edição consultada foi a espanhola, com um prefácio actualizado pelo próprio autor: Sucesos de la Provincia del Alentejo, escritos por Teodoro Josef Biancardi, y vertidos del portugues, Algeciras, Don Juan Bautista Contillé, 1811, pp. 24-25. Esta edição espanhola encontra-se compilada na Colecção de sentenças que julgarão os réos dos crimes mais graves e attrozes commetidos em Portugal e seus dominios - Vol. 4, 1863, fls. 61-88v].
Apesar de não estarem datados, os documentos acima transcritos teriam sido compostos nesta ocasião, algures em meados de Julho, pois como referia o número do Diario de Badajoz onde foram inseridos, "os portugueses acabam de dirigir-nos, através do Governador de Juromenha, o Coronel D. Federico Moretti, a carta adjunta e a representação seguinte, que publicamos traduzidas" (negritos nossos). Em resposta, a Junta de Badajoz recomendou a Moretti que insinuasse às Juntas alentejanas entretanto formadas para se reunirem debaixo da alçada da Junta Suprema de Estremoz. E como a presença de Moretti parecia indispensável em várias partes, foi-lhe dada permissão para sair de Juromenha, o que executou logo no dia 18 de Julho, reunindo-se em Vila Viçosa com António Lobo, Sargento mor das Milícias daquela vila, e com o General da província do Alentejo, Francisco de Paula Leite
Pouco depois, como adiante veremos, partiriam os três para Évora, acompanhados por cerca de 1.000 espanhóis e 700 portugueses, que não seriam suficientes para derrotar uma força muito superior de franceses comandados por Loison, que se dirigiu para a mesma cidade no final de Julho.

The disapointed king of Spain - or the downfall of the Mucheron King Joe Bonaparte late pettifogging attorney's clerk! Between two stools the breech comes to the ground, caricatura de Isaac e George Cruikshank (19 de Julho de 1808)



O Desapontado Rei da Espanha - ou a queda do Rei Impertinente José Bonoparte, último procurador vigarista! Entre dois bancos, o traseiro acaba no chão.

Caricatura de  Isaac e George Cruikshank, publicada a 19 de Julho de 1808.


Esta caricatura baseia-se num provérbio inglês (between two stools one falls to the ground), que por sua vez deriva dum provérbio latino medieval (Labitur enitens sellis herere duabus), e cujo sentido pode ser mais facilmente compreendido através dos provérbios portugueses "quem muito quer tudo perde" e "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". De facto, José Bonaparte, tentando sentar-se entre dois bancos (que representam os tronos de Nápoles e da Espanha), acaba por cair ao chão, vendo assim esvoaçar a coroa de Nápoles para a Sicília, e a coroa da Espanha em direcção a Fernando VII. Desesperado, ergue os braços ao ar e lamenta-se, invocando o seu irmão: "Oh Napy, pobre Napy, fizestes-me perder ambas coroas". Atrás de si, John Bull, vestido como um marinheiro britânico com uma clava na mão, replica-lhe, nitidamente irritado: "Vossas coroas, seu labrego?! É melhor que vos afasteis rapidamente ou também perdereis a vossa cabeça".


Outra digitalização: 

British Museum

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Edital afixado em Lisboa (18 de Julho de 1808)




[Fonte: 1.º Supplemento à Gazeta de Lisboa, n.º 28, 20 de Julho de 1808].

Notícias publicadas na Gazeta de Lisboa (18 de Julho de 1808)



Lisboa, 18 de Julho


Havendo muitos mancebos que se acham em Lisboa pedido ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Duque de Abrantes que lhes permitisse armar-se, equipar-se à sua custa e servir junto da sua pessoa como voluntários de ordens, anuiu Sua Excelência ao seu pedimento. Portanto, o dito corpo, comandado por mr. Bastia, militar que fora, se apresentou já a Sua Excelência, por quem foi acolhido dum modo muito afável e benigno.
O General em Chefe lhe prometeu fornecer-lhe ocasião de distinguir-se, combatendo, se o caso o pedisse, a seu lado contra todos e quaisquer inimigos de Sua Majestade o Imperador e Rei.

O corpo de tropas que se expedira para varrer a costa desde Peniche até acima de Leiria não pôde achar aí nem inimigos que combater, nem rebeldes que punir; o que tão somente se encontrou foram alguns indivíduos semelhantes que se atreveram a esperar no forte da Nazaré, à roda do qual se dissera que se tinha efectuado um desembarque, que nunca existiu. Aquele forte foi tomado num instante, ficando prisioneiro o pequeno número dos que nele se achavam. Os ingleses, na persuasão de que os indivíduos que seduzem para conduzi-los à morte estavam nessas paragens em grande número, puseram ali em terra poucos dias antes alguns morteiros e obuses duma forma particular, os quais não deixarão de nos ser úteis; deles nos apoderámos, em vez de deixá-los ir à sua destinação.

Lisboa continua a gozar duma grande tranquilidade, apesar do vão terror que certos indivíduos, que se conhecem e sobre os quais se vigia de perto, procuram espalhar; e apesar das exagerações que a malevolência divulga ou que a inadvertida crueldade adopta cegamente sobre a entrada de alguns pequenos corpos de paisanos espanhóis em algumas partes das fronteiras. Sem dúvida é esse um mal momentâneo a que certas combinações de uma ordem superior não permitem dar remédio tão prontamente como se desejara, porque convém esperar que se desenvolva um plano geral ditado pela mais profunda sabedoria. Que são porém algumas partidas espanholas contra um exército tal como o do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Duque de Abrantes, pronto a esmagá-las a elas e aos seus cúmplices, quando menos o esperarem? Como é possível que se deixe de ver por outra parte que esses espanhóis, afora qualquer outra causa coactiva, terão de voltar precipitadamente à sua pátria, à medida que as tropas francesas, que se vão adiantando, submeterem o interior do seu país, assim como já têm submetido o norte e a capital do mesmo; e que então, ao mais tardar, abandonarão aqueles dos portugueses que tiverem desatinadamente abraçado a sua causa à animosidade de um vencedor justamente irritado?
Para ajuizar do resultado dos acontecimentos actuais, não se deve fugir deste pensamento decisivo e bem próprio para conter na ordem e no dever todos os homens de razão: Que pode a Espanha, que poderiam até mesmo algumas províncias revoltadas de Portugal, quando, em vez de estarem sem chefes, sem concentração, sem interesses comuns, se vissem reunidas contra aquele gigante da França tantas vezes vitoriosa da Europa e dirigida pelo Grande NAPOLEÃO?

[Fonte: Gazeta de Lisboa, n.º 28, 18 de Julho de 1808].

domingo, 17 de julho de 2011

Carta do Comandante do Exército da Andaluzia, General Castaños, à Junta de Sevilha, sobre os prolegómenos da batalha de Bailén (17 de Julho de 1808)



No dia onze deste mês, manifestei a Vossa Alteza ter sido aprovado o plano de operações na reunião [dos Generais do exército espanhol], cujos detalhes omitia para não importunar, oferecendo-me para dar parte a Vossa Alteza dos seus resultados, anunciando ao mesmo tempo que começava a realizá-lo na noite do mesmo dia. 
Para o devido conhecimento de Vossa Alteza e melhor se inteirar do estado actual, é necessário fazer algumas indicações sobre as circunstâncias antecedentes. O General Reding, com uma divisão de nove mil homens de boas tropas, devia dirigir-se por Mengíbar para atacar Bailén, cair depois sobre Andújar, e impedir as reuniões das tropas inimigas. Efectivamente, começou a executá-lo, e a sua vanguarda, comandada pelo Brigadeiro Venegas, encontrou os inimigos já a catorze de Julho, como se deduz da carta n.º 1. O dito General, cumprindo acertadamente as minhas instruções, atacou os inimigos no dia dezasseis, com o feliz sucesso que acredita a carta n.º 2. Teria sido mais completo se o calor, fome, sede, a devastação do terreno e a falta de meios e socorros com que marcham os nossos exércitos  não o tivessem detido.
Marquês de Coupigny, com uma divisão de cinco mil homens, devia ir por Higuereta e Villanueva para sustentar o General Reding, combinado os seus movimentos com este e com o resto do meu exército. Ele cumpriu perfeitamente as minhas instruções e conseguiu as vantagens que se acreditam pelas cartas n.º 3 e n.º 4 de quinze e dezasseis deste mês, como também interceptar um correio com a correspondência do General Dupont, cujas cópias traduzidas remeto com o n.º 5, n.º 6 e n.º 7.
Tenente Coronel D. Juan de la Cruz Mourgeon, com um corpo de mais de dois mil homens, devia passar por Marmolejo, para evitar e incomodar os inimigos, se estes intentassem escapar pela Serra. Teve os confrontos que se comprovam na carta n.º 8.
Finalmente, de acordo com o plano, no dia 15 ao amanhecer ocupei sem desgraças as alturas dos Visos de Andujar, posição vantajosa, forte, que conservo convencido da sua utilidade, apesar de não ter tendas, faltar água e sentir-se uns calores excessivos, incomodidades que sofre a tropa com a paciência e constância que caracteriza a nação espanhola. É tal o rigor da estação, que teria perdido alguns homens afogados pelo calor, se não os tivesse socorrido prontamente. Procurar-se-á por todos os meios o remédio, pois enquanto Reding e Coupigny agem, é preciso manter esta posição.
Incomodo continuamente os inimigos pela minha frente, ameaçando-os por todos os lados, tendo conseguido desta forma alarmá-los, com as armas a postos, impossibilitados de incomodar Reding e Coupigny e sem que possam recolher grãos e amassar pão, em cujo extremo se acham por falta de paisanos que o executem. Também os incomodo frequentemente com os meus fogos [de artilharia], e, ainda que me respondam, não experimentei da minha parte mais desgraças que as de três mortos e cinco feridos no dia de ontem.
Como o principal objectivo das divisões de Reding e Coupigny é bater as tropas de Bailén e atacar os inimigos pelo seu flanco, dei ordens para que os ditos Generais reúnam as suas divisões, cujas forças são respeitáveis para qualquer ataque, enquanto eu pela frente não os deixarei sossegar até reduzi-los ao último extremo.
Não posso ocultar a Vossa Alteza que me encontro muito satisfeito da conduta dos Generais, Tropa e Oficialidade, em termos que prometo continuar a dar a Vossa Alteza notícias de seu agrado.
Deus guarde a Vossa Alteza muitos anos.
Quartel-General, no acampamento dos Visos de Andújar, a 17 de Julho de 1808.


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Nota: 

Esta carta foi recebida em Sevilha pouco depois das dez horas da manhã do dia 18 de Julho, sendo logo mandada imprimir-se (juntamente com os documentos citados) para ser afixada em Edital.

Soneto e Réplica tendo como mote: Vendo-se Terça-Feira 17 de Julho pelas ruas de Lisboa avultadíssimos bandos de mosquitos




Soneto

Parabéns, parabéns Sebastianistas!
Consumou-se o mistério, é certo, é certo,
Não tarda o nevoeiro, e o Encoberto
Vem aos Galos vencer, cortar as cristas:

Dos profetas santões as longas distas
Estão de eternizar-se muito perto,
Testemunho infalível vos oferto,
No que há pouco passou às nossas vistas:

Já em vosso favor virou a Roda
Uma destas manhãs, abençoada!
Houve um sinal, que à vinda se acomoda;

Mandou o Grande Rei tropa esforçada,
Mas por maior disfarce, veio toda
Em nuvens de mosquitos transformada.

De José Daniel Rodrigues da Costa


Resposta pelos mesmos consoantes.

Aceitai parabéns Sebastianistas,
Que os contrários não vencem; nem decerto
Há de afrouxar a fé desse Encoberto,
Enquanto o Mundo der Galos com cristas.

Dos sábios defensores, grandes listas
As futuras verdades vêm de perto;
Nos seus contraditores vos oferto,
Um bando de Tafices, faltos de vistas:

'Inda em vosso favor remove a Roda
Uma e outra manhã abençoada,
Às provas de que vem, mais se acomoda;

Do encoberto Real, Gente esforçada,
Dos Galos fará ver a tropa toda
Em montes de mosquitos transformada.

Por um Franciscano

[Fonte: Discurso do Imortal Guilherme Pitt..., fls 441-442]. 

sábado, 16 de julho de 2011

Carta do General Dalrymple ao General Wellesley (16 de Julho de 1808)




Gibraltar, 16 de Julho de 1808

Senhor:

Tendo recebido ordens de Lord Castlereagh para remeter-vos todas as informações possíveis relativas ao estado e progresso dos acontecimentos nas partes meridionais de Espanha, não perco tempo em comunicar a substância das informações que tenho tido oportunidade de coligir sobre tais pontos, como também as minhas consequentes observações.
No fim de Maio a insurreição era geral (segundo creio) em todas as províncias e subdivisões do Reino não submetidas aos Exércitos franceses, e no clero em geral; e a populaça revelou um grau de fúria revolucionária e fanática que creio que excedeu até a que surgiu durante a Revolução francesa; porém, como os motivos (Lealdade e Religião) eram muito diferentes dos da França, houve obviamente diferenças nos resultados.
Em quase todos os lugares consideráveis está formada uma Junta Suprema de Gobierno [sic]; a de Sevilha (com a qual nos comunicámos mais, até agora) revela claramente querer assumir o carácter de Governo Nacional, uma pretensão que irá produzir más consequências, se não for examinada a tempo. Devo acrescentar que cada Junta age em nome de Fernando VII, para o qual o entusiasmo popular está ao presente principalmente direccionado. 
Apesar do General Spencer ter ido reunir-se com o Almirante Purvis, na barra de Cádis, debaixo da minha autoridade, penso necessário referir que não tive parte alguma nas negociações que foram tomadas entre esse oficial e o Almirante Purvis duma parte, e o Governador Morla e o General Herrera doutra parte.
Estou seguro que se decidiu na Junta de Sevilha, por uma grande maioria dos membros, que as nossas tropas não seriam admitidas, como guarnição, em qualquer praça-forte. Também estou informado, por uma boa autoridade, que o General Morla, Governador de Cádis, é o adepto mais enérgico desta resolução: julgo ser meu dever referir este facto, pois parece que o General Spencer ficou convencido que este General Morla prevê que o seu corpo seja utilizado para a defesa de Cádis, caso os Exércitos espanhóis sofressem algum revés.
Presentemente, tenho um Oficial do Quartel-Mestre do Estado-Maior siciliano (o Capitão Whittingham) junto do Exército do General Castaños; ordenar-lhe-ei para comunicar-se convosco daqui para diante, e permiti-me recomendá-lo a vós com um homem de grande zelo e actividade, e um perfeito espanhol. Também tenho em Sevilha um Oficial, o Major Cox, do Regimento n.º 61, através do qual Lord Collingwood e eu próprio temos comunicado com a Junta; também recomendo este Oficial à vossa atenção, por ter revelado talentos consideráveis na missão que foi encarregado. 
Junto um extracto de um dos ofícios do Major Cox, sobre a nossa permissão para ocuparmos Cádis, através do qual julgareis nas mesmas bases sobre a qual a minha opinião foi formada.
Provavelmente, antes deste ofício vos alcançar, o General Castaños terá lutado contra Dupont. Em caso de desastre, ele desejava que o General Spencer ocupasse uma posição em Jerez [de la Frontera], com uma parte da sua força, mantendo outra parte embarcada, para conceder ajuda ao General Morla para a defesa de Cádis. Ele também pretendia ter um destacamento no Puerto de Santa María. 
Em Valencia a Junta Suprema formou-se alguns dias antes da de Sevilha; e a conduta da populaça (pela qual se formaram todos os governos em todos os sítios) era, em Valencia, marcada por uma violência particular; e logo no início, mais de 300 comerciantes franceses foram mortos. Desde então, é bastante claro que a populaça da cidade de Valencia cercou, se não bateu completamente, a Divisão de Moncey, que alcançou aquele lugar com um poder avassalador, e, depois duma acção desesperada, um Regimento suíço e outro regular foram quase aniquilados, numa passagem chamada Cabrillas, e conseguiram escapar doutros corpos que os valencianos tinham no campo; em Valencia acredita-se que estes últimos corpos tinham cortado a retirada de Moncey, e destruído o seu próprio corpo. Não confirmo a precisão de qualquer destas notícias; mas julgo que é indubitável que, em geral, os franceses foram aí desconcertados.
Barcelona está nas mãos dos franceses; e as notícias que temos da Catalunha são vagas e imprecisas. Aragão está em armas, certamente; e temos notícias oficiais duma derrota que os franceses sofreram em Zaragoza, com imensas baixas; parece haver algo fabuloso na narrativa, apesar de acreditada em geral em toda a Espanha, onde se atribuiu tal derrota a N.ª S.ª la Virgen del Pilar. Tais são as ideias do povo neste momento. 
Depois do General Castaños esperar que derivasse um auxílio, em caso de desastre, da posição que ele desejava que o Major General Spencer tomasse em Jerez, ele ultimamente afincou-se na opinião de que as forças britânicas deveriam ser empregadas sobre o Tejo; mas entendo que tal viragem foi originada pelo ressentimento das nossas intenções em relação a Cádis. Achei que os espanhóis retrocediam perante qualquer proposta que tendesse a colocar à nossa disposição as suas frotas e as suas fortalezas; e penso que uma grande força [britânica] na barra de Cádis poderá motivar que os espanhóis enviem uma guarnição para ali, destacando-a até do próprio do exército que se opõe a Dupont.
Transmito-vos uma publicação da Junta de Múrcia* (na qual se afixou o nome de Floridablanca), que pinta, em cores vivas e verdadeiras, o perigo presente da Espanha. De Bonaparte não se ouve nada; os seus exércitos parecem ter sido deixados à sua sorte.
Recebi deputações de Sevilha, Jáen, Granada, Valencia, Cartagena, das Ilhas Baleares, e da maioria das cidades na costa do Mediterrâneo entre o estreito [de Gibraltar] e a Catalunha, e até de Tortosa, nesta última província; todos expressam os mesmos sentimentos, e todos fazem os mesmos pedidos - dinheiro, armas e munições.
Tenho a honra de ser, etc., etc.,

H. W. Dalrymple,
Tenente-General


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Nota: 

* Tratava-se da tradução duma proclamação datada de 22 de Junho de 1808, publicada em castelhano (entre outras fontes) na Gazeta de Madrid, 9 de agosto de 1808, pp. 991-993.

Carta do Tenente Coronel D. Juan de la Cruz Mourgeon ao General Castaños (16 de Julho de 1808)



Excelentíssimo Senhor:

Ontem, como terá sido avisado Vossa Excelência, os inimigos atacaram-me, de modo que tive a necessidade de internar-me para além da montanha. A sua força consistia em 2.000 homens, e a minha em 1.500. Por fim consegui tomar uma posição vantajosa, pronta para defender a retirada dos inimigos por esta parte e para ajudar a operação da primeira divisão pelo seu flanco direito.
Tive na acção de ontem 13 mortos e 28 feridos, e os inimigos, segundo a declaração de um Sargento ferido que aprisionámos, tiveram mais de 100 mortos e feridos, e ademais fizeram retirar as suas tropas logo que tomei a nova posição.
A falta de água que há nesta terra obrigou-me, para refrescar a tropa, a passar ao Puerto de las Viñas, onde permaneci até às 4 horas da tarde, quando tomei a posição do alto do Peñascal de Morales, onde às 9 horas da noite fiz as duas grandes fogueiras.
Estou preocupado porque não sei o resultado da primeira e da segunda Divisão. 
Deus guarde a Vossa Excelência muitos anos.
Peñascal de Morales, às 8 e meia da manhã de 16 de Julho de 1808.

Juan de la Cruz Mourgeon

Carta do General Dupont ao General Belliard (16 de Julho de 1808)



Escrevi-vos, meu querido General, o resultado do dia de ontem: continuamos donos de todas as nossas posições; seguramente teremos hoje um novo ataque da parte do inimigo. Este dia é o aniversário da vitória de Tolosa sobre os mouros, e a preocupação religiosa dá uma grande importância a esta época nos entendimentos espanhóis. 
Escrevo ao General em Chefe que realmente não se deve perder um instante para sairmos da nossa posição, na qual já não podemos subsistir. Tendo o soldado todos os dias as armas nas mãos, não pode ceifar nem fazer o seu pão, como fizeram até aqui, porque os paisanos abandonaram as suas casas e as suas searas. Peço portanto reforços; numa palavra, um corpo de exército reunido, e que não esteja espalhado por tão grandes distâncias. Suplico-vos para fazerdes segurar as comunicações para que a Divisão Govert se possa reunir. Se deixamos ao inimigo manter o campo a sul, todas as províncias e as demais tropas de linhas acabarão por seguir o partido dos rebeldes. Um golpe enérgico dado na Andaluzia contribuirá muito para submeter toda a Espanha. Envie-me biscoitos, medicamentos e tecido para ligaduras, com a maior prontidão possível, porque os bandidos interceptaram nas montanhas, há um mês, os nossos hospitais ambulantes e os biscoitos que vinham de Toledo.
Sou, etc.

O General Dupont

Carta do General Dupont ao Duque de Rovigo, General em Chefe dos Exércitos franceses na Espanha (16 de Julho de 1808)


A Sua Excelência o Senhor Duque de Rovigo, General em Chefe dos Exércitos Franceses na Espanha.


Senhor General em Chefe:

Tenho a honra de dirigir a Vossa Excelência uma cópia da minha carta de ontem. O inimigo mantém-se nas mesmas posições, ocupa as alturas em frente de Andújar, e as suas baterias estão a um tiro da nossa vanguarda. Presumo que hoje renovará o seu ataque, e nós o receberemos com a maior tenacidade para conservar a nossa posição. 
O General Vedel guarda o caminho de Jaén para Bailén, e eu encarreguei-o para que observe com eficácia o caminho de Jaén a Úbeda, pelo qual poderia o inimigo passar a La Carolina; encarreguei o mesmo ao General Gobert, tendo em conta a suma importância da posição de La Carolina, para manter a nossa comunicação com Madrid. 
O ataque do inimigo revela que é concebido por projectos formais, e a nossa inação deu-lhe alentos.  Creio, como já insinuei muitas vezes a Vossa Excelência, que não devemos perder um instante para passar à ofensiva. Se não se sujeita o sul, o fogo da insurreição estender-se-á imediatamente às outras províncias, e as tropas regulamentares que se encontram espalhadas por elas deixar-se-ão arrastar para o partido dos rebeldes; é preferível que momentaneamente não se faça caso dos movimentos parciais que se podem manifestar nalguns pontos, a fim do exército francês estar em condições de marchar com forças suficientes contra este exército do sul, que está em guerra aberta contra nós. Para além disto, farei observar a Vossa Excelência que há cerca de um mês que ocupamos a posição de Andújar, que este território foi assolado pelos bandidos, e que não podemos extrair dele mais do que escassos recursos para viver. Há muito que as tropas não teriam subministros, se os soldados não se empregassem diariamente em ceifar o trigo e em fazer por si mesmos o seu pão, mas agora que a tropa está continuamente com as armas a postos, não pode usar já este meio. Vossa Excelência saberá quão impaciente está o exército para sair desta situação e marchar contra o inimigo. A reunião completa da divisão Gobert e mais outra divisão com alguma cavalaria, colocarão este exército em disposição de retomar as suas operações, mas este momento nunca poderá vir muito cedo. Rogo a Vossa Excelência que assegure a Sua Majestade o zelo que anima as suas tropas pelo seu serviço; ontem adquiriram mais um grau de confiança; todos os motivos se reúnem para que dêem incessantemente uma batalha decisiva.
Tenho, etc.