sexta-feira, 10 de junho de 2011

Carta de Lagarde ao Juíz de Fora de Chaves (10 de Junho de 1808)


Lisboa, 10 de Junho de 1808


Provavelmente estará Vossa Mercê já persuadido, ou não tardará a está-lo, do sucesso acontecido da sublevação que se manifestou por meio das tropas espanholas distribuídas no Porto e Viana, antes de evacuar estas cidades para retirar-se para o seu país.
Vossa Mercê nada me diz sobre se este acontecimento está já divulgado nessa cidade. Estranhou-se tal procedimento naqueles homens que faltaram aos seus deveres e aos que o direito das gentes tem por mais sagrados; chegando ao ponto de se apoderar do Porto e de alguns funcionários franceses que foram aprisionados e conduzidos para a Galiza.
Não considero necessário dizer a Vossa Mercê que abusando assim da generosidade e legalidade com que se lhes tinha confiado como aliados, a segurança de algumas províncias, estas tropas e sobretudo os seus chefes têm a maior responsabilidade em provocar uma activa vingança, da qual não se verão livres pela sua fuga precipitada deste atentado político tão grave como inútil.
Mas sem insistir sobre as medidas tomadas para castigar eficazmente antes de pouco tempo semelhante atentado, pois que o sr. Marechal Lannes entra em Espanha com um reforço de 60.000 franceses, devo fazer conhecer a Vossa Mercê o que as circunstâncias actuais lhe ordenam, se Vossa Mercê quiser obter a benevolência do Governo actual e que esta lhe conduza à do Rei que Sua Majestade promete a este país.
Sua Excelência o Sr. Duque de Abrantes sabe com a mais viva satisfação que nos lugares onde se incendiou esta sublevação de um um curto número de soldados espanhóis, gozou o resto da tranquilidade, e que nenhum português tomou parte nestes excessos, porque todos viram que o delírio agita momentaneamente algumas cabeças, nada tem de comum com a causa deste país, a não ser que queiram atropelar com os seus próprios pés os seus amáveis interesses; Portugal por si mesmo não concorrerá a ser uma província de Espanha.
É a esta verdade que Vossa Mercê deve unir-se e aconselhar os seus concidadãos a que se unam também; a fim de pô-los de acordo contra o perigo que correriam de alguma tentativa de rebelião que os arrancasse do repouso.
A que fim não chegariam aqueles que se deixassem seduzir por insinuações? Admitamos por um momento a mais absurda e mais duvidosa hipótese: Lutando a Espanha algum tempo com vantagem contra a França e suas armas, que ganharia Portugal com isto? Voltar a sofrer o jugo espanhol que antigamente lhe foi tão pesado.
Qual será o homem sensato que possa desconhecer a posição da Europa, os exemplos passados e o imenso poder do Imperador Napoleão, para imaginar que a Espanha toda inteira hoje sem outro Rei que ela mesma, sem outro chefe nem outro centro de autoridade, chegar a levantar-se sem ficar impune por muito tempo? A Espanha, que tantas vezes foi vencida pelos franceses, tornar-se-ia agora mais forte que o resto de toda a Europa submetida às armas e ao talento do maior dos Monarcas?
Quem pensa assim incorre numa completa loucura. Sua Excelência o Duque de Abrantes está muito longe de culpar algumas classes de indivíduos em Portugal, e muito menos a nenhum empregado público, e o próprio encarrega-me que comunique a Vossa Mercê particularmente que conta nesta ocasião sobretudo com o seu zelo, para fazer continuar a profunda tranquilidade que nós gozamos, e para prevenir com maiores observações e vigilância que de qualquer desordem ou desassossego se me instrua de correio em correio com a maior exactidão e escrúpulo como de qualquer coisa que possa merecer a atenção do Governo.
Nestas circunstâncias, toda a negligência que Vossa Mercê cometa na sua correspondência, tornar-lhe-á suspeito à consideração de Sua Excelência, e por consequinte, culpável pela mais leve omissão que padeça em cumprir os seus deveres.
Informe-me Vossa Mercê não somente deste acontecimento, mas também das ocorrências de Espanha; e fará Vossa Mercê ver que qualquer sinal ou qualquer invocação relativa à Casa de Bragança desterrada no Brasil é actualmente tão criminosa como impossível que volte a Portugal uma família que para sempre cessou aqui de reinar, pois que o Grande Napoleão assim o prescreve e determina.
Tenho a honra de saudar Vossa Mercê.

P. Lagarde

[Fonte: Archivo Histórico Nacional de España, "Estados de Fuerza de las tropas españolas en Portugal. Documentación relativa a los ejercitos de la provincia de Tras-os Montes, así como a subsistencias y pasaportes de ciudadanos", cota: ES.28079.AHN/5.1.145.4.1.1.57.3//DIVERSOS-COLECCIONES,87,N.27].


Notícias publicadas na Gazeta de Lisboa (10 de Junho de 1808)




Lisboa, 10 de Junho


Anteontem à noite houve no Teatro de S. Carlos um festim magnífico, cujas particularidades daremos na folha seguinte*

Por cartas de França, dignas de crédito, consta que um novo exército de 60.000 homens, às ordens de Sua Excelência o Marechal Lannes, está a ponto de entrar em Espanha, a fim de defender as costas, se, por acaso, os ingleses tivessem a ideia de procurar fazer aí alguma expedição, à maneira da de Tolon; isto é, de se apresentar naquelas costas para lançar fogo a tudo, e pôr-se consecutivamente em fugida, entregando à cólera do vencedor aqueles que se deixarem cair no criminoso engano de ajudá-los. 
Esta notícia poderá muito bem aplacar a petulência de certos agentes ingleses, que, em algumas partes da Espanha, querem absolutamente, debaixo do título de Juntas, introduzir a mania dos Clubs (associações populares) com que também procuraram arruinar a França em meio da sua revolução. 
Ninguém sabe melhor que os ingleses o quão temível será para eles uma união verdadeiramente íntima entre a França e a Espanha, tal qual não pode deixar de o ser, quando a mesma família houver de ocupar ambos os tronos; e quando, segundo a sua promessa, o Imperador Napoleão tiver confiado o ceptro espanhol a outro ele mesmo. Por isso é que a Inglaterra de nada se descuida para armar os espanhóis uns contra os outros, procurando impedir que se reúnam debaixo da invencível estrela do Grande Napoleão. Os ingleses porém só poderão conseguir fazer algumas vítimas; sobejo bom senso têm os espanhóis para deixar de ver o laço que lhes armam os seus inimigos; e sobejas luzes para se tornarem, contra si mesmos, os instrumentos de uma nação que tem ocasionado a perda de todas aquelas que têm seguido os seus pérfidos conselhos; porque, assim como muitas vezes o têm proclamado os oradores do seu Parlamento, o Gabinete de S. James só quer os desastres do Continente; é bem certo de que, quando este obedecer sinceramente a uma só e mesma influência, debaixo da direcção do maior dos Monarcas, em breve ficará acabado o despotismo marítimo de uma ilha que só deve momentaneamente o seu salvamento à divisão que os seus estipendiários têm sempre tido a arte de semear entre aqueles cujo evidente interesse é coligar-se contra ela. 


[Fonte: 1.º Suplemento à Gazeta de Lisboa, n.º 23, 10 de Junho de 1808].

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Nota: 

O desenrolar dos acontecimentos impediu que essas particularidades chegassem a ser publicadas na Gazeta de Lisboa. Acúrsio das Neves, por outro lado, descreve da seguinte forma (crítica) esse "notável festim": "procurava Junot suavizar os seus males, distrair a atenção dos principais cidadãos de Lisboa e intimidar o povo por meio de um espectáculo em que o luxo, a licença e a vaidade se combinavam com o terror, para os mesmos fins: uma ceia, precedida de danças e de concertos, no teatro de S. Carlos na noite de 8 para 9 de Junho. Nada lhe esqueceu para fazer este acto ao mesmo tempo majestoso e terrível; agradável somente o pôde fazer aos seus e a um pequeno número de portugueses que o seguiam. Quatro mil aguadeiros rodeavam o edifício com os seus barris cheios de água, para prevenirem qualquer incêndio; numerosas tropas, tão prontas e armadas como se estivessem para entrar em combate, guarneciam as ruas até uma grande distância; e por estes preparativos se pode julgar do resto. 
Foi grande o número dos convidados de ambos os sexos e de todas as classes, os quais, para entrarem no teatro, tinham de atravessar largo espaço por entre as fileiras destes assassinos, que, nas pontas das suas baionetas, lhes apresentavam a imagem da morte. Os homens entravam sem aparato; para receberem as senhoras, achavam-se quatro pajens no vestíbulo, que anunciavam a sua chegada a quatro Ajudantes de Ordens que ali as vinham receber e as conduziam até à porta interior do teatro, onde o General Margaron fazia as honras da casa.
A plateia tinha-se elevado a correr direita com o tabelado, e à roda dela se colocaram várias ordens de assentos, ficando livre o centro para as danças. No topo estavam três cadeiras de braços, a orquestra nas varandas das Pessoas Reais, e na frente se via, entre outras decorações, o busto de Napoleão em pintura, servindo-lhe de peanha quatro bandeiras francesas encruzadas, nas quais se liam os famosos nomes de Marengo, Austerlitz, Jena e Firedland. Por baixo delas estava a bandeira russiana [sic], de cuja humilhação neste dia foram testemunhas o Almirante Seniavin e toda a sua oficialidade.
Enquanto entravam os convidados, foram-se estes arranjando como puderam, ficando sempre vazias as três cadeiras de braços; apenas junto o concurso, anunciou-se a chegada de Junot, e tudo foi reboliço para o virem receber à entrada e o conduzirem até à cadeira do meio, que foi ocupar, dando as dos lados a duas damas que o acompanharam e sobressaíam ao resto da companhia, como novas Vénus no meio do coro das suas ninfas. Rompeu então a orquestra e começaram as danças, que levaram uma grande parte da noite. Depois delas correu-se o pano, e apareceu sobre o tabelado uma espécie de barraca de campanha, e dentro desta a mesa, que foi somente para as senhoras. Os homens, de que uma parte, principalmente dos de certa ordem, tinham subido para os camarotes, a fim de disfarçarem o desgosto em que se viam, pela mistura em que se achavam, e em que irremediavelmente tinham deixado as suas famílias, foram obrigados a descer para a ceia; por entre os bastidores, e de pé, é que foram comendo alguma coisa, de sociedade com os soldados, com os serventes, e com todo o lixo que por ali se achava. Dizem os que assistiram que não foi a mesa a que ostentou o luxo desta esplêndida função" [Fonte: José Accursio das Neves, Historia Geral da Invasão dos Francezes em Portugal, e da Restauração deste Reino - Tomo III, Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1811, pp. 99-102].

Aviso de Lagarde (10 de Junho de 1808)


Aviso indispensável para o Público.

No número mui grande petições que diariamente se me apresentam, e que, antes de deferir-lhes, estou no costume de remeter aos Corregedores e Juízes do Crime de cada bairro de Lisboa, para a verificação dos factos locais, deixam quase sempre as partes interessadas de indicar a sua residência e a da parte contra quem requerem, como também o bairro em que umas e outras moram; e como depois não vêm buscar os seus requerimentos, ficam estes postos de parte na Secretaria da Intendência Geral, sem que se possam enviar a parte alguma, por não se saber a que bairro de Lisboa são concernentes.
Portanto fica avisado o Público de que as ditas indicações são indispensáveis, especialmente pelo que respeita a Lisboa, nas petições que se apresentarem ao Senhor Conselheiro do Governo, Intendente Geral da Polícia do Reino, e que ele se virá obrigado a dar de mão àquelas em que se omitissem, 48 horas depois da publicação do presente aviso.
O Conselheiro do Governo, Intendente Geral da Polícia do Reino de Portugal,

P. Lagarde

[Fonte: 1.º Suplemento à Gazeta de Lisboa, n.º 23, 10 de Junho de 1808].

Decreto do Príncipe Regente ordenando que por mar e por terra se faça a guerra a Napoleão e aos seus vassalos (10 de Junho de 1808)





Havendo o Imperador dos Franceses invadido os meus Estados de Portugal da maneira mais aleivosa e contra os Tratados subsistentes entre as duas Coroas, principiando assim, sem a menor provocação, as suas hostilidades e declaração de guerra contra a minha Coroa; convém à dignidade dela, e à ordem que ocupo entre as Potências, semelhantemente a guerra ao referido Imperador e aos seus vassalos; e portanto ordeno, que por mar e por terra se lhes façam todas as possíveis hostilidades, autorizando o corso e armamento a que os meus vassalos queiram propor-se contra a nação francesa; declarando que todas as tomadias e presas, qualquer que seja a sua qualidade, serão completamente dos apresadores, sem dedução alguma em benefício da minha Real fazenda. A Mesa do Desembargo do Paço o tenha assim entendido e o faça publicar, remetendo este por cópia às estações competentes, e afixando-o por editais. 
Palácio do Rio de Janeiro, em 10 de Junho de 1808. 

Com a rubrica do Príncipe Regente

[Fontes: Julio Firmino Judice Biker, Suplemento á Collecção dos Tratados, Convenções, Contratos e Actos Publicos celebrados entre a Corôa de Portugal e as mais potências desde 1640 – Tomo XV, Lisboa, Imprensa Nacional, 1878, p. 107; Antonio Delgado da Silva, Collecção da legislação Portugueza desde a ultima compilação das ordenações, - Volume 5 (1802-1810), Lisboa, Typografia Maigrense, 1826, p. 519. A cópia digitalizada do edital foi extraída do site archive.org ].


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Nota: 


Como fica entendido, o decreto acima transcrito foi remetido à Mesa do Desembargo do Paço, que na data de 15 de Junho o mandou publicar por edital. A 10 de Junho o Príncipe Regente tinha remetido o mesmo decreto ao Conselho Militar, que também o publicou por edital a 15 de Junho.

Catálogo dos objectos escolhidos por Geoffroy Saint-Hilaire entre as colecções do Gabinete de História Natural da Ajuda, destinados às colecções do Museu de História Natural de Paris (10 de Junho de 1808)

















REINO ANIMAL







1.ª Classe – Os Mamíferos




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Macacos sakis Singes sakis 1 a 3 3 3

Macacos saguis Singes sagouins 4 a 13 10 11

Macacos cebus Singes sapajous 14 a 19 6 6

Macacos ateles Singes ateles 20 a 21 2 2

Macacos urradores Singes hurleurs 22 a 24 3 11

Lóris Loris 25 a 26 2 2

Morcegos  Vespertilion 27 1 1

Preguiça (mais um esqueleto) Paresseux 28 a 29 2 3

Mirmecófagos Myrmécophages 30 a 32 3 3

Tatus Tatous 33 a 36 1 4

Peixe-boi (mais um esqueleto) Lamantin 37 1 2

Hiena Hyène 38 1 1

Mão-pelada Chien crabier 39 1 1

Lobos Loups 40 a 41 2 2

Felis Felis 42 a 47 6 6

Jupará Potol [sic] 48 1 1

Quati Coati 49 a 50 2 2

Mustelas Musteles 51 a 52 2 2

Lontra Loutre 53 1 1

Mus Mus 54 a 56 1 3

Paca Paca 57 1 1

Esquilos Écureuils 58 a 60 3 3

Ratos de campo Loirs 61 1 1

Lebre Lièvre 62 1 1

Pika Lagomis 63 1 1

Muflão Mouflon 64 1 1

Golfinho Dauphin 65 1 1

Total de mamíferos 65 76




2.ª Classe – As Aves




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Aves de rapina diurnas Oiseaux de proie diurnes 1 a 14 14 14

Aves de rapina nocturnas Oiseaux de proie nocturnes 15 a 16 2 2

Picanços Piegrièches 17 a 23 7 13

Caneleiros Bécardes 24 a 30 7 17

Papagaios Perroquets 31 a 52 22 30

Tucanos Toucans 53 a 54 2 14

Barbudos Barbus 55 a 58 4 6

Gaios Geais 59 a 63 5 6

Tropeiros Troupiales 64 a 75 12 6

Curucuí Couroucous 76 1 1

Cucos Coucous 77 a 78 2 8

Pegas Pies 79 a 90 12 16

Guarda-rios Martin-Pêcheurs 91 a 94 4 4

Calau Calao 95 1 1

Colibris Colibris 96 a 100 5 5

Patos Canards 101 a 105 5 6

Albatroz  Albatros 106 1 1

Pinguim Manchot 107 1 1

Petrel Pétrel 108 1 1

Fragata Frégate 109 1 1

Mobelhas Plongeon 110 1 1

Secretário Secrétaire 111 1 1

Ostraceiro Huîtriers 112 1 1

Maçarico Courli 113 1 1

Pernilongo Échasse 114 1 1

Fuselo Barge 115 1 1

Narceja Bécassine 116 1 1

Galinhola marinha Râle 117 a 118 2 3

Arapapá Savacou 119 1 1

Galinha d'água Poule d'eau 120 1 1

Abibes Vanneaux 121 a 122 2 2

Sisão Cannepetière 123 1 1

Perdiz Perdrix 124 1 1

Tetraz Tétras 125 a 127 3 3

Tinamus Tinamous 128 a 134 7 7

Faisões Faisans 135 1 1

Mutum Hocco 136 a 138 3 3

Pombos Pigeons 139 a 144 6 7

Cruza-bicos Loxias 145 a 170 26 32

Sombrias Ortolans 171 a 177 7 7

Andorinhas Hirondelles 178 a 179 2 2

Pipridae Manaquins [sic] 180 a 189 10 20

Melros  Merles 190 a 199 10 21

Cotingas Cottingas 200 a 207 8 11

Tangarás Tangaras 208 a 222 15 75

Papa-moscas Gobemouches 223 a 233 11 13

Calhandra Alouettes 234 1 1

Jacamar Jacamar 235 a 237 3 3

Ema Thoyou 238 1 1

Total de aves 238 384 [sic]




3.ª Classe – Os Répteis




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Iguanas Iguanes 1 a 4 4 6

Scincidae Scinques 5 a 6 2 2

Salamandras Salamandres 7 a 8 2 2

Lagartos Lézards 9 a 13 5 5

Crocodilos Crocodiles 14 a 17 4 8

Tartarugas Tortues 18 a 20 3 4

Sapo Crapaud 21 1 1

Pipa Pipa 22 1 1

Serpentes Serpens 23 a 25 3 3

Total de répteis 25 32




4.ª Classe – Os Peixes




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Moreia Murène 1 1 1

Gimnotos Gymnote 2 1 2

Bacalhau Gade 3 1 1

Dourada Cryphene 4 1 1

Cótido [peixe-aranha?] Cotte 5 1 1

Linguados Pleuronectes 6 a 7 2 2

Peixes-borboleta Chetodons 8 a 10 3 3

Esparídeos Spare 11 a 18 8 11

Pimpim Cabres [sic] 19 a 24 6 8

Lutjanos Lutjan 25 a 29 5 5

Bodião Bodian 30 a 31 2 2

Holocentros Holocentre 32 a 35 4 4

Perca Perche 36 a 37 2 2

Peixe-papagaio Scare 38 a 39 2 2

Esgana-gata Gasterostés 40 a 41 2 2

Carapau Scombre 42 a 43 2 2

Salmonete Trigle 44 a 46 2 3

Siluros Silures 47 a 62 17 21

Peixes-corneta Fistulaire 63 a 64 2 2

Salmão Salmone 65 a 67 3 3

Lúcios Ésoces 68 a 69 2 2

Carpas Cyprins 70 a 72 3 3

Peixes-cofre Coffre 73 a 74 2 2

Tetraodontes Tétrodons 75 a 77 3 3

Peixe-agulha Syngnathes 78 1 1

Peixe-porco Balistes 79 a 82 4 4

Tamboril Lophie 83 a 86 4 4

Raias Raies 87 a 89 3 3

Total de peixes 89 97 [sic]




5.ª Classe – As Conchas




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares


Vatelles [ou l'atelles?] 1 a 3 3 7

Abalones Ormies 4 a 5 2 5


Lelices 6 a 57 50 94


Sabots  58 a 59 2 3


Toupies 60 a 66 7 10


Murex 67 a 76 9 13


Strombes 77 a 79 3 6


Casques 80 a 95 16 20

Buccins 96 a 153 57 77


Volutes 154 a 157 4 8


Olives 158 a 180 23 35

Porcelanas Porcelaines 181 a 205 25 30


Tyaux 206 a 210 5 9

Ostras Huîtres 211 a 228 18 21


Pelermes 229 a 230 2 2

Mexilhões Moules 231 a 237 7 20


Cames 238 a 269 32 100

Lingueirão  Solens 270 a 274 4 5

Balanus Balanites 275 a 277 3 3

Total de conchas 277 468




6.ª Classe – Os Crustáceos




Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Caranguejos Crabes 1 a 5 5 12




7.ª Classe – Os Insectos




1.º Himenópteros

Nome em português Nome em francês Números Espécies Exemplares

Donzelinhas Demoiselles 1 a 2 2 3

Vespas Guêpes 3 a 17 15 31

Vespas-cavadoras Sphex 18 1 1

Formigas Fourmies 19 a 24 6 13

2.º Coleópteros

Lucanos Lucanes 25 1 1

Escaravelhos Scarabées 26 a 48 23 35

Cetónias Cétoines 49 a 63 15 39

Gorgulhos Charançons 64 a 87 23 56

Joaninhas Coccinelles 88 a 89 2 4


Taupins 90 a 91 2 4

Besouros Richards 92 a 94 3 6

Cantárida Cantharide 95 1 1

Bicho-da-farinha Tenebriouns 96 1 1

Capricórnios Capricornes 97 a 118 21 26

Carochas Carabes 97 a 118 21


3.º Ortópteros

Baratas Blattes 119 2 3

Louva-a-Deus     Mantes 120 1 1

4.º Hemípteros

Cigarras Cigales 121 a 122 2 4


Fulgores 123 1 2

Conchonilhas Cochenille 124 Mistura

5.º Lepidópteros

Ninfas Nymphes 125 a 140 15 27

Guerreiros [?] Guerriers 141 a 264 123 234

Mariposas Sphinx 265 a 281 16 23

Falenas Phalènes 282 a 287 6 10

Bichos da seda Bombyx 288 a 291 4 4

6.º Dípteros

Moscas Mouches 292 a 294 3 9




Total de insectos 294 538


















REINO VEGETAL







§ 1. Plantas secas conservadas em herbários




Descrição Número de maços Número de plantas

1. Herbário feito no Brasil, por Alexandre Rodrigues Ferreira 22 1134

2. Herbário do Brasil, pelo Dr. Veloso 2 129

3. Herbário do Brasil, pelo Dr. Veloso 3 117

4. Herbário de Angola, por Da Silva 5 216

5. Herbário do Cabo da Boa Esperança, por Macé 1 83

6. Herbário do Perú 3 289

7. Herbário do Cabo Verde, por Feijó 12 562

8. Herbário de Goa 1 35

9. Herbário da Conchinchina, pelo Dr. Loureiro 1 88

10. Herbário de Upssala [Suécia], pelo Dr. Thunberg 1 182

Total de plantas em herbário 2855




§ 2. Outros produtos vegetais




Descrição Número de pacotes

Raízes do Brasil 4

Frutos secos 7

Cascas de árvores 14

Total 25















REINO MINERAL







§ 1. Minerais do Brasil




1.º Gemas

N.º 1 - 3 safiras das minas dos Índios Mucalizes [sic].

N.º 2 - 3 gotas de água (crisoberilos?) de [Minas] Gerais.

N.º 3 - 6  crisoberilos, ditos crisólitos.

N.º 4 - 4 outros das Minas Gerais.

N.º 5 - 3 berilos.

N.º 6 - 2 jacintos

N.º 7 - 7 granadas cristalizadas, com mistura de ferro.

N.º 8 - Granadas em pó (um pacote).

N.º 9 - 12 pequenos rubis.

N.º 10 - 1 topázio do Rio de Janeiro.

N.º 11 - 2 gemas em bruto (jacintos?)

2.º Pedras

N.º 12 - 1 cristal de rocha, oco por dentro.

N.º 13 - 2 cristais com titânio.

N.º 14 - 1 cristal fumado.

N.º 15 - 2 cristais de ametista.

N.º 16 - 3 cristais com mica.

N.º 17 - 1 cristal com agulha de cobalto.

N.º 18 - 5 cristais polidos (pedra da mina nova?) [sic].

N.º 19 - 3 cristais sobre Gagnes [sic] em lâminas.

N.º 20 - 2 cristais provenientes de blocos polidos.

N.º 21 - 2 ágatas em bruto.

3.º Pedras magnésicas

N.º 22 - 1 fragmento de esteatite branca.

N.º 23 - 1 fragmento de pedra branca.

N.º 24 - Mica cristalizada, negra, do Maranhão.

N.º 25 - Mica cristalizada, violeta, do Maranhão.

N.º 26 - Mica cristalizada, amarela, de leste de Cobra.

N.º 27 - Mica cristalizada, verde, do Ceará.

N.º 28 - Mica cristalizada, de Rio das Velhas.

N.º 29 - Mica em lâminas (moscovita).

N.º 30 - Amianto.

4.º Pedras compostas.

N.º 31 - Granito de Syrangu [sic].

N.º 32 - Granito das Cachoeiras de Rio Negro.

5.º Metais

N.º 33 - Ouro e platina em pó.

N.º 34 - Ouro puro em pó.

N.º 35 - Ouro negro cristalizado.

N.º 36 - Ouro amarelo cristalizado.

N.º 37 - Ouro sobre pirites, sendo estas em número de 7.

N.º 38 - Filão de ouro num quartzo.

N.º 39 - Ouro em lâminas sobre jaspe.

N.º 40 - Ouro misturado com ferro.

N.º 41 - Ouro sobre e dentro dum cristal de rocha.

N.º 42 - 27 amostras de cobalto, gangas e mineralizadores diferentes.

N.º 43 - 30 amostras de ferro, em diversos estados (às quais se referem, assim como o cobalto, 2 memórias).

N.º 44 - 6 amostras de cobre.

N.º 45 - 3 de galena

N.º 46 - 1 de molibdénio.

N.º 47 - 80 das mesmas minas, tomadas em lugares diferentes das primeiras.

6.º Betumes

N.º 48 - 7 pacotes de diversos tipos (para análise).




§ 2 - Minerais do Brasil e de Portugal




N.º 49 - 3 granadas de Belas.

N.º 50 - 1 jacinto de Coimbra.

N.º 51 - Mica da Serra da Estrela.

N.º 52 - Asbesto.

N.º 53 - Xisto de Cuiabá.

N.º 54 - Galena de Coja.

N.º 55 - 4 amostras das minas de ferro do Algarve.




§ 3 - Minerais alheios ao Brasil e a Portugal.




N.º 56 - Mica cristalizada de Cabo Verde.

N.º 57 - Cobre do México.

N.º 58 - Mina de ferro de Angola.

N.º 59 - 2 amostras de produtos vulcânicos de Cabo Verde.







Todos os objectos mencionados no presente catálogo foram escolhidos por mim, ou porque faltam na colecção do Museu de História Natural [de Paris], ou porque encontram-se apenas num estado de inferioridade.
Feito em Lisboa, 10 de Junho de 1808.

O Comissário de Sua Excelência o Ministro do Interior 
[Geoffroy Saint-Hilaire].


[Fonte: E.-T. Hamy, "La mission de Geoffroy Saint-Hilaire en Espagne et en Portugal (1808). Histoire et documents", in Nouvelles Archives du Muséum d'Histoire Naturelle, Quatrième série - Tome dixième, Paris, Masson et C. Éditeurs, 1908, pp. 1-66, pp. 59-65].