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sexta-feira, 22 de julho de 2011

The Beast as described in the Revelations, Chap. 13. Resembling Napolean Bounaparte, caricatura de Thomas Rowlandson (22 de Julho de 1808)





Fonte: Brown University Library

A Besta como descrita no livro do Apocalipse, Cap. 13.
Semelhante a Napoleão Bonaparte.
Caricatura de Thomas Rowlandson, publicada a 22 de Julho de 1808.




E vi subir do mar uma besta que tinha [...] sete cabeças, [...] e sobre as suas cabeças um nome de blasfémia. [...] E a besta que vi era semelhante a um leopardo [...] e a sua boca como a de um leão. [...] E vi uma das suas cabeças como que ferida mortalmente [...]. 
(Ap., 13: 1-3).


Inspirando-se, como indica o título, no 13.º capítulo do livro do Apocalipse, esta caricatura representa a besta de sete cabeças erguida do mar (neste caso, a Córsega natal de Napoleão), a qual ostenta o número 666 no seu corpo de leopardo (semelhante ao do "tigre" que o mesmo autor já tinha representado duas semanas antes, na caricatura intitulada The Corsican Tiger at Bay). Esta besta monstruosa é atacada por um guerreiro que representa a Espanha, inclusive na sua própria pose (reforçada pela capa), que se assemelha aos contornos geográficos do dito país. A mitra que ostenta (também presente noutras caricaturas, como por exemplo The Noble Spaniards..., King Joes Reception at Madrid, ou Sancho alias Joe Butt's...), portando as inscrições S. Pedro e Roma, alude ao facto dos monarcas espanhóis serem conhecidos como os Reis Católicos, enquanto a lâmina da sua espada representa um verdadeiro espanhol [de] Toledo, o seu escudo a Catalunha, o seu braço direito o Patriotismo espanhol e o antebraço as Astúrias, o seu boldrié Madrid e a sua coxa esquerda Córdova. O seu pé direito, que representa Cádis, pisa uma serpente, em alusão à rendição incondicional da esquadra de Rosily, reforçada pela presença, ao fundo, da esquadra do Almirante Purvis. Este personagem, vestido como um nobre espanhol, declara que O verdadeiro Patriotismo é subjugar assim a besta monstruosa e acalmar a fúria da Guerra!!!





Este herói deu um golpe certeiro numa das cabeças da besta (precisamente a de Napoleão), a qual está presa por um fio, se bem que continuando a largar chamas da boca. As outras seis cabeças da Besta ostentam caretas selvagens e arreganham os dentes. As suas coroas indicam que são os monarcas da Rússia, Prússia, Dinamarca, Holanda, Nápoles e Áustria. 



Da cabeça quase completamente decepada de Napoleão caiem quatro coroas (duas da França, uma de Portugal e outra da Espanha). A Esperança, representada por uma mulher com uma âncora, corre nesse momento para tentar apanhá-las com o seu avental. 


 


Finalmente, ademais de aparecer inscrito no corpo da besta, o número 666 aparece também associado ao próprio nome de Napoleão (aqui chamado de Napolean), através da correspondência entre as letras e a sua correspondência numérica. Note-se que esta associação entre Napoleão e a Besta do Apocalipse não era nova (ver por exemplo, a cores ou a preto e branco, a caricatura intitulada An hieroglyphic, describing the state of Great Britain and the continent of Europe, for 1804):



[...] A marca que é o nome da besta ou o número do seu nome. [...] 
E o seu número é seiscentos e sessenta e seis 
(Ap. 13: 17-18).


Outras digitalizações:


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Caricatura alusiva à incapacidade de Murat desbaratar os bandos de insurgentes espanhóis



Ainda que não esteja datada, julgamos que esta gravura foi concebida na sequência das notícias sobre a enfermidade de Murat, que começaram a circular em meados de Julho de 1808.

terça-feira, 19 de julho de 2011

The disapointed king of Spain - or the downfall of the Mucheron King Joe Bonaparte late pettifogging attorney's clerk! Between two stools the breech comes to the ground, caricatura de Isaac e George Cruikshank (19 de Julho de 1808)



O Desapontado Rei da Espanha - ou a queda do Rei Impertinente José Bonoparte, último procurador vigarista! Entre dois bancos, o traseiro acaba no chão.

Caricatura de  Isaac e George Cruikshank, publicada a 19 de Julho de 1808.


Esta caricatura baseia-se num provérbio inglês (between two stools one falls to the ground), que por sua vez deriva dum provérbio latino medieval (Labitur enitens sellis herere duabus), e cujo sentido pode ser mais facilmente compreendido através dos provérbios portugueses "quem muito quer tudo perde" e "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". De facto, José Bonaparte, tentando sentar-se entre dois bancos (que representam os tronos de Nápoles e da Espanha), acaba por cair ao chão, vendo assim esvoaçar a coroa de Nápoles para a Sicília, e a coroa da Espanha em direcção a Fernando VII. Desesperado, ergue os braços ao ar e lamenta-se, invocando o seu irmão: "Oh Napy, pobre Napy, fizestes-me perder ambas coroas". Atrás de si, John Bull, vestido como um marinheiro britânico com uma clava na mão, replica-lhe, nitidamente irritado: "Vossas coroas, seu labrego?! É melhor que vos afasteis rapidamente ou também perdereis a vossa cabeça".


Outra digitalização: 

British Museum

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Spanish Patriots entring Madrid, or the Grand Duke of Bergs retreat discovered, caricatura atribuída a Isac e/ou George Cruikshank (14 de Julho de 1808)




Patriotas espanhóis entrando em Madrid, ou a descoberta da retirada do Grão-Duque de Berg.

Caricatura atribuída a Isaac e/ou George Cruikshank, publicada a 14 de Julho de 1808.



Antes de mais, note-se que a caricatura representa algumas variações semânticas sobre a intitulada "retirada" de Murat. É certo que o termo retreat, em termos militares, significa precisamente "retirada", mas devemos observar que pode igualmente significar "retiro", "abrigo", refúgio" (e seus correspondentes verbos), e "lugar de privacidade". Por extensão, retreat também significava, em inglês antigo, o mesmo que privy ("privada"), ou seja, "retrete". Curiosamente, tanto em português como em castelhano antigo, o termo "retrete" (s. m.) tinha o significado, entre outros, de "aposento íntimo, e o mais recolhido, na parte mais secreta de casa" ou "quarto pequeno/casinha retirada", passando também por extensão a ter o significado moderno de "retrete". [Cf., entre outras obras, Rafael Bluteau, Diccionario da Lingua Portuguesa - Tomo Segundo (L-Z), Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1799, p. 341].
Feito este esclarecimento, vejamos como um grupo de patriotas espanhóis está prestes a descobrir Murat, retirado numa latrina. O seu líder, empunhando uma espingarda cuja baioneta aponta para o interior do "esconderijo" de Murat, encoraja os seus camaradas de armas: Vamos lá, meus bravos compatriotas: começo a sentir o seu cheiro, e apesar de termos tratado os ingleses tão mal, aquela generosa nação forneceu-nos dinheiro, armas e munições. Vamos lá, então. Vamos lá. Dentro da latrina, antes de esquivar-se por um buraco, um rato avisa o seu "homónimo" Murat (sobre este trocadilho ver o que aqui referimos): homónimo, caístes numa armadilha. Sem o chapéu e com o cabelo eriçado, e apresentando um aspecto pálido e enfermiço, Murat declara, nada satisfeito: Raios, ouço-os a chegar. Oh! Quão parvo fui em me tornar vice-Rei. Só queria estar de novo a bordo das galeras. Aos seus pés encontra-se uma folha de papel (talvez para limpar-se) onde se pode ler Para o General Murat. Papéis de Estado. Bayona


Outras digitalizações:

terça-feira, 12 de julho de 2011

The Corsican Spider in his Web!, caricatura de Thomas Rowlandson (12 de Julho de 1808)



A aranha corsa na sua teia!
Caricatura de Thomas Rowlandson, publicada a 12 de Julho de 1808.


No centro da sua teia, a aranha-Napoleão (em cujo dorso tem a inscrição ambição ilimitada) está prestes a engolir um par de moscas espanholas (Carlos IV e Fernando VII), enquanto reserva para melhor ocasião todas as outras moscas que se deixaram agarrar: umas são moscas pequenas e inumeráveis (alusão à Confederação do Reno?), enquanto outras, maiores, representam a Áustria, Holanda, Hanover, Prússia, Hamburgo, Veneza, Itália, Etrúria... A "mosca" portuguesa, que se encontra afastada do centro da teia, é nada menos do que uma garrafa (de Porto?) com asas... A mosca papal, também na periferia, afirma que tem medo de ser arrastada para o interior da teia... A mosca russa, presa somente pelas suas patas dianteiras, declara que já estava semi-agarrada quando se apercebeu... As únicas moscas que ainda não caíram na teia são a turca, que diz que tem medo de ser a próxima, e a inglesa, que se dirige em tom provocatório à aranha-Napoleão, afirmando que esta poderá observá-la, mas não a conseguirá agarrar

segunda-feira, 11 de julho de 2011

The Spanish Bull-fight or the Corsican-Matador in Danger, caricatura de James Gillray (11 de Julho de 1808)



A tourada espanhola ou o matador-corso em perigo.
Caricatura de James Gillray, publicada a 11 de Julho de 1808.

A arena do Theatre Royale de l'Europe é o palco de uma tourada à espanhola (com matador, representado por Napoleão), à qual assistem, da esquerda para a direita, o Rei da Grã-Bretanha, que empunha um tridente numa mão (símbolo da sua supremacia sobre os mares) e um monóculo na outra, através do qual observa atentamente o espectáculo; o Imperador da Áustria; o Príncipe Regente de Portugal, acompanhado com uma garrafa de vinho de Brasil; o Imperador Alexandre "o Grande" da Rússia; o Rei da Prússia; o Rei da Suécia; o Papa Pio VII, que exibe uma bula para excomungação do corso usurpador; e por último, o Sultão da Turquia e o Dey de Argel, que aparentemente se tentam esconder detrás do Papa. 
Depois do matador-Napoleão acabar de deixar três touros (que representam a Prússia, a Holanda e a Dinamarca) agonizando e mugindo por ajuda, dá-se uma reviravolta súbita, com a entrada de rompante do touro espanhol, que quebrou a corrente corsa que o agrilhoava. José Bonaparte (com um papel assinado pelo seu irmão, o qual tem a inscrição Coroação de Joseph Bonaparte Rex Espagnol Gibralter et...) foi o primeiro a ser derrubado, jazendo debaixo do touro espanhol, que lhe urina para a cara enquanto ao mesmo tempo investe sobre o matador-Napoleão, que não conseguiu dar-lhe uma estocada certeira, partindo a espada ao desferir o golpe. Neste instante, Napoleão é lançado ao ar pelos chifres do touro espanhol, que lhe ferem a nádega esquerda, deixando cair o seu chapéu e um plano para submeter o mundo... Por cima da plateia, a legenda informa que o espírito do touro espanhol é tão notável que, a menos que o matador lhe dê uma estocada mortal à primeira investida, o touro seguramente o destruirá. 
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Outras reproduções digitalizadas desta mesma caricatura (com algumas variantes nas cores):


domingo, 10 de julho de 2011

Billingsgate at Bayonne or the Imperial Dinner!, caricatura de Thomas Rowlandson (10 de Julho de 1808)



Peixeirada em Bayonne ou o Banquete Imperial!
Caricatura de Thomas Rowlandson (publicada a 10 de Julho de 1808)


Esta sátira sobre a desunião entre a família real espanhola foi concebida na sequência da publicação em Londres (apenas uma semana antes) duma suposta carta particular remetida de Bayonne a 8 de MaioDeve notar-se que o título da caricatura, que traduzimos livremente por peixeiradaé inspirado no mercado de Billingsgatesituado nos subúrbios de Londres, que era então o maior mercado de peixe do mundo.
A cena passa-se em Bayonne, no dia 5 de Maio, num banquete presidido por Napoleão. À esquerda, a Rainha D. Maria Luísa e o seu filho D. Fernando, ambos de pé e com as mãos nos quadris, enfrentam-se um ao outro, gritando a primeira: Agora vou vos dizer, vilão, cara a cara e diante do meu querido amigo Boney: Não sois filho dos Reis; então podeis fechar a loja [=calar-vos]. Replica Fernando: Madame, eu conheço todos os vossos truques e os do seu Príncipe da Paz. Godoy, o único que se vê a comer, contrapõe: Gostaria que eles me deixassem em paz. Atrás de Fernando e diante de Godoy estão os dois filhos mais novos dos Reis (os Infantes Carlos María Isidro e Francisco de Paula), sentados no mesmo banco, dizendo Carlos a Fernando: Irmão, não se importe com o que ela diz, nós os Infantes o reconhecemos. Ao lado destes, encontra-se Pedro Cevallos (primeiro-ministro de Carlos IV e depois de Fernando VII), que, farto da conversa, pergunta: Não sou eu o grande Cevallos? Vocês calam-se? Diante deste, D. Carlos IV, com um gorro de dormir e tocando violino, diz: Gostaria que eles deixassem um pobre e velho Rei tocar tranquilamente o seu violino. Finalmente, Napoleão levanta-se e diz, de punhos cerrados: Vou vos dizer o que farei se fazem um tumulto destes na minha mesa. Ficarei danado se não vos mandar a todos para prisão [sic: Round House].

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Existe uma outra digitalização desta caricatura disponível no site do British Museum.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

6 Soldados Portugueses afugentam, aprisionam e ferem 20 Heróis de Marengo e de Austerlitz (gravura de autoria de Constantino Frias)





Esta gravura representa um confronto entre seis soldados portugueses e um grupo de soldados de cavalaria franceses (embora se vejam também três soldados de linha com o uniforme francês) que supostamente ocorreu nos arredores de Leiria, no dia 30 de Junho de 1808, de acordo com o relato de Vitorino de Barros Carvalhais intitulado Relação da marcha e do sucesso da expedição do Destacamento que de Coimbra se dirigiu a Pombal e Leiria, nomeadamente o seguinte excerto:

Perto de Leiria mandámos dois camaradas nossos a descobrir campo. Imediatamente foram cercados pelo inimigo e atacados, mas estes dois bravos portugueses dispararam suas pistolas e fizeram recuar vinte e dois franceses. Informados por eles, e temendo [que] nos escapasse a presa, deixámos as Ordenanças de Pombal, que nos seguiam, e partimos a todo o galope para Leiria. Estavam os franceses postados em linha na ponte desta cidade com ânimo de resistir. Nós os vemos, voamos a eles, e tudo foge. Metemos à estrada real em seu seguimento, mas os cavalos cansam[-se] e não podem avançar. Seis camaradas somente puderam seguir vinte franceses fugitivos; seus nomes devem passar à mais remota idade: José Joaquim de Sá, João Pedro Correia, Gonçalo Velêz Zuzarte, Joaquim Monge, Manuel José Soares da Cunha Paixão, Caetano Rodrigues de Macedo afugentam com terror vinte soldados velhos e aguerridos. Seis moços sem experiência fazem tremer vinte heróis de Marengo e de Jena! Quatro Dragões franceses de Cavalaria foram aprisionados. Um, por irmos já quatro somente, foi desarmado e dando sua palavra de honra de não arredar pé, não a cumpriu, escapando-se. Não é de admirar em tais soldados um tal procedimento!
Dos quatro camaradas, dois se demoraram com um francês que resistia; e dois partiram até os Carvalhos, perseguindo o resto. Estes dois bravos homens devem ser imortais na História. Seus nomes são José Joaquim de Sá e João Pedro Correia. O primeiro, arrebentando o seu cavalo nas alturas da Batalha, correu animosamente a pé com a espada numa mão, e a pistola na outra, em seguimento do inimigo; o segundo encarou só com três inimigos, dos quais feriu perigosamente um Gens d'armes [sic]. Os resultados deste brilhante combate foram quatro prisioneiros, cinco cavalos, três doentes que se achavam no Hospital, e quatro feridos, que ainda puderam fugir. Da nossa parte não houve o mais pequeno perigo.

[Fonte: Minerva Lusitana, Coimbra, n.º 11, 26 de Julho de 1808]


terça-feira, 21 de junho de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Criação da Junta de Sevilha (27 de Maio de 1808)



A crise política espanhola (que não se tinha resolvido com a aclamação de D. Fernando VII) agravou-se com a notícia das abdicações de Bayonne. Segundo o professor Antonio Moliner Prada, 

A situação de anarquia crescente levou os patriotas a procurar uma saída nova para resolver a crise política, ao criar umas Juntas de autoridades em cidades e províncias que nem tinham existido antes, nem contavam com um marco jurídico para a sua formação, e que se estenderam também em Portugal e nas colónias hispano-americanas. Quem eram estes homens que estavam dispostas a enfrentar-se contra o invasor e a organizar-se para isso através das Juntas? 
Não se pode dissociar a formação das Juntas do levantamento popular, ainda que as novas instituições criadas sejam compostas na sua maioria por membros das elites locais e provinciais e não directamente pelo povo. A sociedade concebe-se segundo o imaginário do Antigo Regime, ou seja, o de estratos sociais, daí que todos eles estejam representados nas Juntas, recorrendo a instituições tradicionais como a Junta Geral do Principiado das Astúrias, as Cortes em Aragão e na Galiza.
As Juntas formaram-se à margem ou frente ao poder constituído, que já não existe ao estar ausente o rei. Neste sentido, produziu-se uma ruptura com as autoridades estabelecidos. Ao seguir a doutrina dos pactos, as Juntas eram agora as depositárias da soberania que emana do povo e que na conjuntura de 1808 devém nos seus membros que se constituíram em seu nome, aspecto profundamente inovador e revolucionário.
As 18 Juntas Supremas Provinciais que se constituíram [na Espanha] aparecem como novos poderes e autoproclamam-se soberanas, pelo poder que tinham recebido supostamente do povo, e, ao actuar em nome de Fernando VII, não reconheceram as abdicações de Bayonne, fruto da violência. Legitimaram-se dizendo que actuavam em representação da nação e de Fernando VII. Por isso encheram-se de títulos e honras, buscando a sua legitimidade ritual como no Antigo Regime, e em consequência actuaram com absoluta independência: organizaram a resistência e o exército, nomearam Generais e outros funcionários, estabeleceram impostos, administraram as rendas e iniciaram relações com outras nações e entre elas mesmas. O seu objectivo principal em cada território era estabelecer um plano de defesa para conservar a independência da nação.
As Juntas reconduziram a situação de vazio de poder que se tinha produzido em todos os lugares, daí que tenham dedicado grande parte dos seus esforços a velar pela ordem pública para reconduzir [contra os franceses] as explosões de violência que se tinham produzido [contra as próprias autoridades constituídas].



No dia 27 de Maio de 1808, era formada uma das primeiras Juntas espanholas, a autodenominada Junta Suprema de Governo (de Sevilha), composta pelas seguintes personalidades:


1. Presidente: Francisco Saavedra (antigo Secretário de Estado da Fazenda de Carlos IV).





Representantes do alto clero:

2. D. Juan Acisclo de Vera, Arcebispo de Laodiceia e co-administrador da diocese de Sevilha.

3. o Deão do Cabido de Sevilha
4. D. Francisco Xavier Cienfuegos, Cónego do mesmo Cabido



Representantes da Real Audiência:

5. D. Francisco Díaz Bermudo, Regente.
6. D. Juan Fernando Aguirre



Representantes da Nobreza:

7. Conde de Tylli
8. Marquês de Grañina
9. Marquês de las Torres
10. D. Andrés de Miñano y las Casas
11. D. Antonio Zambrana Carrillo de Albornoz



Representantes da cidade de Sevilha:


12. D. Andrés de Coca
13. D. Josef de Checa



Representantes dos Generais:


14. D. Eusebio Herrera.
15. D. Adrián Jacome.




Representantes do Cabido dos Jurados:

16. D. Antonio Zambrano
17. D. Manuel Peroso



Representante do povo:

18. D. Josef Morales Gallego



Representantes do comércio:

19. D. Victor Soret
20. D. Celedonio Alonso



Representantes da religião:


21. Padre Manuel Gil
22. Padre Josef Ramírez 




Secretários:

23. D. Juan Bautista Esteller (Primeiro secretário), Tenente do Terceiro Regimento de Artilharia
24. D. Juan Pardo (Segundo secretário), Ajudante do Regimento de Farnésio



Segundo a primeira proclamação que esta Junta mandou publicar, lavrada com a data de 28 de Maio, uma vez "eleitos", estes vinte e quatro membros "juntaram-se imediatamente para acordar o que convinha fazer em benefício da pátria e da defesa contra os seus inimigos; o que executaram na forma seguinte:

Que se despachem correios expressos ao Ex.mo Sr. Capitão Geral da província [da Andaluzia], conduzidos pelo sr. Conde de Teba [depois do Montijo], encarregado particularmente de instruir S. Ex.ª do que a Junta determinou e das suas intenções, e ao Ex.mo Sr. Comandante General do Campo de S. Roque; às cidades de Córdoba, Granada e Jaén, às províncias da Extremadura e a outras cidades e vilas mais próximas, com o objectivo de, instruídas da resolução desta capital, se esforcem e se reúnam para conseguir o desejado fim que a anima.
Que se componham e imprimam proclamações pelo sr. D. Fernando VII, e se façam circular a todas as povoações do reino desta cidade, e a todas as demais que sejam convenientes. 
Que continuem os senhores Regente e Ministros da Real Audiência e os demais juízes desta cidade nos seus respectivos exercícios, para que não se demore a administração da justiça.
Que o papel selado corra, por agora e enquanto se habilita outro carimbo, com o cabeçalho de Valha para o Reinado de Sua Majestade o Senhor D. Fernando VII.
Que se encerre o teatro cómico desta cidade, e se passe um ofício ao sr. Deão para que, fazendo-o presente ao Il.mo Cabido, disponha que se celebre uma oração sobre o acerto desta Junta nas suas disposições e na felicidade das tropas espanholas.
Que em tudo o que diz respeito às armas e ao exército disponham quanto estimem ser útil os senhores D. Antonio de Gregori e D. Tomas Moreno, seu segundo; tendo entendido que a Junta dá a cada soldado voluntário quatro reales e a sua ração de pão, e à demais tropa um real a mais sobre o seu soldo.
Que para recolher fundos e tudo o que diz respeito à Fazenda, nomeia os senhores D. Francisco Cienfuegos, D. Andres de Coca, e D. Victor Soret, e para Intendentes para a distribuição e disposição dos ditos fundos, os senhor D. Tomas Gonzalez Carbajal e D. Antonio Cabrera.
Que o ramo da polícia fica a cargo dos senhores alcaides de quartel e Tenentes, para que dêem sobre este ponto as providências que sejam convenientes, e à Junta prestem conta do que ocorra particularmente.
Que se comissiona os senhor D. Antonio Zambrano e D. Manuel Peroso para que, valendo-se das pessoas e meios que achem convenientes, cuidem do fornecimento do pão, para que não falte ao público em ocasião tão interessante.
Que se proíbe a todos os habitantes de qualquer estado ou condição que sejam o uso de armas, disparar nas ruas, causar alvoroços ou inquietações, prevenidos de que, fazendo o contrário, serão castigados com o rigor correspondente, proporcional ao seu excesso, e da menor desobediência ou omissão que prestem a esta Junta, cuja autoridade devem respeitar.
E para que chegue à notícia de todos se manda publicar e fixar.
Sevilha, vinte e oito de Maio de mil oitocentos e oito.
D. Juan Bautista Esteller, Secretário primeiro.
D. Juan Pardo, Secretário segundo.
[Fonte: Coleccion de Bandos, Proclamas y Decretos de la Junta Suprema de Sevilla, y otros papeles curiosos, Cádiz, Reimpresa por D. Manuel Santiago de Quintana, s.d. (1808?), pp. 3-5].

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os fuzilamentos de 3 de Maio de 1808 em Madrid segundo Goya





El tres de mayo de 1808 en Madrid o Los fusilamientos en la montaña del Príncipe Pío.
"O três de Maio de 1808 em Madrid ou os fuzilamentos na montanha do Príncipe Pio".
Quadro de Francisco de Goya (1813-1814)


Gravura sobre os fuzilamentos da madrugada de 3 de Maio de 1808 em Madrid


Fonte: Europeana
Gravura de Juan Carrafa intitulada Horrível sacrifício de inocentes vítimas com que a aleivosa ferocidade francesa empenhada em sufocar o heroísmo dos madrilenos, imortalizou as glórias da Espanha no Prado de Madrid no dia 2 de Maio de 1808


Pormenor da gravura anterior



Fonte: Europeana
Outra versão colorida da mesma gravura.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Gravura sobre os fuzilamentos de 2 de Maio de 1808



Fonte: Europeana

Dia 2 de Maio de 1808 na Montanha do Príncipe Pio.
Gravura de Arturo Eusebi Valladares e A. Sagardoy

Os motins de 2 de Maio de 1808 segundo Goya



El dos de mayo de 1808, o La lucha con los mamelucos.
"O dois de Maio de 1808, ou a luta com os mamelucos".
Quadro de Francisco de Goya (1814)

sábado, 9 de abril de 2011

Caricatura sobre a morte dos cães vadios ordenada por Lagarde


Seguramente já depois da saída dos franceses em Setembro de 1808, foi publicada a seguinte caricatura, intitulada Protecção dos Cães e nitidamente alusiva ao edital de Lagarde de 9 de Abril do mesmo ano. Nela se vê o novo Intendente Geral da Polícia, o careca Pierre Lagarde, em primeiro plano, enxotando um cão com a perna esquerda, enquanto outro cão urina-lhe para a perna direita, ao mesmo tempo que entrega uma arma a um guarda da polícia de Lisboa (conforme o 3.º artigo do referido edital), dizendo-lhe "matai-os com esta pistola" (tuez-les avec ce pistolet). Ao fundo vêem-se dois homens ocupados a matar outros cães, enquanto um terceiro leva um já morto para a carreta.
Note-se que os cães vadios já acompanhavam os franceses numa outra caricatura sobre a entrada dos protectores em Portugalaparentemente do mesmo autor.



Pergunta: Que traria a Portugal 
a Francesa protecção?
Resposta: Trouxe aos Cães tirana morte,
Aos Homens fome de cão.